Prelúdio autárquico

por Carlos Cunha | 2017.01.23 - 13:17

 

 

Os rigores da invernia vão-se fazendo sentir pelas terras de Viriato, ao invés a preparação para as próximas eleições autárquicas que ocorrerão a seguir ao verão, está a fazer subir a temperatura. Excelente, pelo menos, na última semana falou-se a sério de autárquicas e de possíveis candidatos à autarquia viseense.

Vamos então por partes: olhando para o espectro político local há duas semanas atrás facilmente se depreendia que 2017 para além de ser o ano oficial para visitar Viseu, seria também o ano da consagração autárquica do atual presidente da autarquia. Perante as fragilidades reveladas pelo PS local e perante a escassa disponibilidade de Hélder Amaral em ir a jogo, Almeida Henriques vislumbrava uma renovação fácil do seu mandato à frente da Câmara Municipal de Viseu por mais quatro. Perante este cenário político, Almeida Henriques preparava-se para colocar no calendário das festas locais mais uma: a da sua reeleição.

Acontece que Almeida Henriques, quando delineou a sua estratégia autárquica para Viseu, em 2013, assente na comunicação e no marketing, optou por seguir um trilho de distanciamento do seu sucessor Fernando Ruas, que hoje lhe pode ser letal. Almeida Henriques não ficou só pela renovação dos layouts do edifício camarário. Fez bem mais do que isso, provavelmente descontente com a forma como Ruas se despediu do Município a que presidiu durante 24 anos.

Em 2013, Fernando Ruas aceitou encabeçar a Comissão de Honra de Almeida Henriques e este devolveu-lhe a gentileza propondo-o para um mais do que justo, digo eu, Viriato de Ouro, a condecoração mais elevada atribuída pela autarquia viseense. Mas o clima de lua-de-mel entre ambos foi sol de pouca dura e surgiram no horizonte local as primeiras fricções, que a imprensa viseense tratou de acicatar. Quando se esperava que estas estancassem ocorreu precisamente o inverso: engrossaram. Ruas, aquando da sua saída, pediu o subsídio de reintegração, Almeida negou-lho, sustentando a sua posição em pareceres oriundos da CCDR e da DGAL ou Tribunal de Contas (não tenho bem a certeza de qual destes dois últimos foi). Ruas não gostou do afrontamento e ficou-lhe com o dente afiado, queixando-se que Almeida o passou a riscar do protocolo local. O inesperado aconteceu, e a relação tornou-se gélida quando Ruas se recusou a receber das mãos do atual Presidente da edilidade o Viriato de Ouro. Estava cavado o fosso ou aberta uma ferida de muito difícil tratamento. Não houve no PSD quem conseguisse consertar a fratura e Ruas sempre que podia não perdia a oportunidade de dar mais uma ferroada a Almeida, ao dizer que este fazia mais anúncios do que obras. O clima estava ao rubro e a contra resposta não se fez esperar. Almeida diz que captou mais investimento em três anos do que o seu antecessor. Mas a cereja no topo do bolo, que deve ter posto Ruas ruborescido e a vociferar foi quando surgiram em alguns outdoors da cidade os anúncios sobre uma redução da dívida local em 3 milhões de euros em apenas três anos de mandato.

Estão criadas as condições para uma tempestade perfeita, que é como quem diz estão criadas as condições para surgir uma candidatura com força política suficiente para abanar ou destronar o atual edil… Aguardemos com serenidade o desenrolar dos acontecimentos…

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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