Preços a aumentar ou não

por Rui Coutinho | 2014.01.03 - 09:33

Nos primeiros dias de cada novo ano somos habitualmente bafejados com o anúncio generalizado do aumento dos preços. Para o corrente ano, em termos médios vislumbram-se aumentos de 1% nos diferentes bens. No entanto, parecem existir algumas excepções que vêm contrariar a tendência. No caso do pão e do leite, elementos fundamentais na alimentação humana, os preços devem manter-se estáveis.

O preço unitário do pão deverá conservar-se nos 13 cêntimos. O leite, apesar da subida de 20% no preço a pagar ao produtor, deverá posicionar-se nos 37 cêntimos. Nestas situações, é o sector industrial a suportar e a acomodar os custos de produção que não param de aumentar.

Em 2014 entra definitivamente em vigor o diploma que regulamenta o conjunto das boas práticas comerciais a desenvolver entre a distribuição e a produção. O diploma tem como objectivo impedir a venda de produtos abaixo do custo de produção. Se esta é a medida de maior impacto, a sua abrangência é muito superior. Impede a distribuição de afectar aos produtores um conjunto alargado de custos desconhecidos de muitos. Assim, podemos destacar os relacionados com a falta de produto, com prazos de entrega não cumpridos, com a utilização de espaço e respectivos produtos não vendidos. Ao conjunto agora descrito, podemos ainda alistar os custos relativos com a introdução ou reintrodução de produtos e as queixas decorrentes de reclamações dos consumidores, bem como os relacionados com o transporte e armazenamento de bens. A todos estes podemos ainda adicionar os relativos com o desperdício resultante da actividade, os quais não podem ser menosprezados. A distribuição fica ainda inibida de imputar custos de abertura de novos espaços e suas remodelações. A ser assim, os lucros e os custos vão apresentar valores bem diferentes para ambas as partes.

Segundo o estudo do Eurobarómetro “PME, eficiência de recursos e marcados ecológicos”, as PME’s portuguesas foram as empresas que melhor reajustaram os custos de produção à situação vigente. Trata-se de um processo implementado há 5 anos e já possível de mensurar. A poupança energética conseguiu atingir os 90% e a utilização de materiais mais adequados alcançou os 85%. Em termos europeus, os valores médios para os itens em causa são de 67% e 59%, respectivamente.

Se estes factores assumem uma condição fundamental no controlo dos custos, a reciclagem e o reaproveitamento de materiais são também mencionados com valores a atingirem agora os 78%, a que se junta a diminuição do custo com água em 77%.

O ano de 2014 parece trazer consigo um conjunto de alterações legislativas e de comportamentos que em muitos casos vão redundar na inevitável subida de preços mas noutras situações vislumbram-se saudosas alterações que importa enaltecer.

Bom 2014.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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