Precisamos de mais Abril

por Manuel Ferreira | 2014.04.18 - 19:41

 

Comemorar e invocar a data do 25 de Abril será com certeza um acto que fará sentido em qualquer momento. Teve valor no passado, tem significado no presente e terá porventura importância no futuro.

E tem significado no presente não só porque se trata de avivar e relembrar os convencionais e tradicionais valores de Abril, a democracia e a liberdade, mas porque necessitamos de Abril para inspirar a prática política em geral e a actividade governativa em particular.

O espírito de Abril é novamente indispensável para nos interpelar sobre o rumo que grande parte da Europa e o país estão a percorrer. A opção por uma agenda política neoliberal, que tende a criar uma ruptura entre o Estado e o cidadão, em que o Estado é enfraquecido, os mercados são endeusados e os indivíduos deixam de contar como pessoas concretas e reais, tem-nos conduzido a uma degradação das condições de vida e a uma insatisfação e descontentamento crescentes.

Deste modo, o espírito de Abril é novamente necessário para inaugurar uma nova forma de ver e de fazer política, com novos horizontes, com novas ambições, com novos objectivos, de modo a reconciliar os portugueses com a política.

A política é uma actividade humana, concebida pelo homem e para o homem, pelo que subverter ou negar o seu carácter antropológico é matar a essência da própria política. A política não existe para satisfazer os mercados, para responder às questões do défice, para aumentar o desemprego, para criar austeridade, para empobrecer as pessoas reduzindo salários e pensões e aumentando impostos, para dificultar a sua realização pessoal e social.

A política existe – e o espírito de Abril isso nos ensinou – para vivermos uma vida melhor, com mais bem-estar, para responder às exigências e às necessidades de um Estado que pretendemos social e cada vez mais social, em que todos tenham à partida as mesmas oportunidades e em que o desenvolvimento e o progresso sejam as metas a alcançar.

O espírito de Abril é novamente essencial naquilo que ele representa de confiança, de esperança, de anseios, de entusiasmo, de sonhos e de utopias.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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