Prazo de validade

por Rui Coutinho | 2015.12.10 - 12:20

 

         Este é um dos temas mais recorrentes e que muita tinta já fez correr em face do actual panorama político nacional. Para muitos, o actual governo que resulta da agregação de interesses e vontades à esquerda, liderado por António Costa, carece de legitimidade política, uma vez que os partidos em causa, apenas e só aglutinados após o acto eleitoral, conseguiram desenhar a actual conjuntura. No entanto, em termos constitucionais, a sua legalidade é total. O anterior governo, resultado da coligação PSD/CDS, foi a força política mais votada mas não conseguiu atingiu a maioria absoluta e, antes da sua tomada de posse, não teve o espaço para aglomerar em seu redor os necessários aliados para uma desejada governação.

Sobre o presente governo, muitos vaticinam uma vida efémera, outros conjecturam uma quimera mais vitalícia. Para esta última predição, talvez importe referir que em 2017 se avizinham eleições autárquicas e assim todos pretenderão posicionar-se, à data, na melhor forma para obterem prometedores resultados. A esta futura conjectura eleitoral, junta-se no imediato a presumível muleta com que o actual governo passará a contar para se perpetuar, designada Europa. Refiro-me, em particular, aos países que não irão cumprir o idílico tecto do défice imposto e que já trataram de o anunciar a viva voz. A existirem sanções sobre esses países (algo inédito até à data), o BCE necessita de imprimir muito dinheiro para o efeito e, a ser assim…

Em termos alimentares, o prazo de validade é um dos critérios determinantes na escolha dos diferentes produtos. Trata-se do período de tempo em que estes mantêm os seus parâmetros de qualidade inalterados. As características nutricionais, organolépticas (sabor e odor) e de segurança alimentar de índole física, química e microbiológica devem manter-se imperturbadas.

Na definição e determinação da designada vida útil dos produtos alimentares está um conjunto alargado de testes a desenvolver nas condições ideais para a sua futura conservação, como é o caso da temperatura. Essa mesma bateria de testes é também realizada em condições que fomentam uma rápida degradação dos alimentos. A meticulosa análise dos diferentes resultados obtidos em circunstâncias ideias e adversas permite determinar e definir o prazo de validade a conceder aos produtos. Nos dias de hoje, este processo moroso conta já com softwares baseados em modelos matemáticos que tiveram na sua génese a construção de bases de dados, resultantes da compilação desses inúmeros testes. Esta técnica combina dados que vão desde a composição nutricional, física e química dos alimentos até à ecologia microbiana responsável pela sua degradação e que demonstra a capacidade de predizer o seu prazo de validade. A esta revolucionária tecnologia, já aplicada na fileira do pescado, podemos juntar etiquetas que modificam a sua coloração inicial em face da alteração do seu modo de conservação. Parâmetros possíveis e sujeitos a alterações como é o caso da temperatura, humidade relativa, luz e produção de compostos ácidos, são por esta via mensurados após o embalamento.

Neste momento, o que muitos agradecem é que, à semelhança do que acontece com os modelos já testados na área alimentar e que denotam uma indispensável propriedade – robustez-, é que esta característica também se possa verificar nos modelos económicos a serem revelados, para bem de todos.

Certo esteja Centeno…

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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