P’RA TRÁS MIJA A BURRA…

por Cílio Correia | 2017.02.19 - 14:35

 

Sentimos as feridas do preconceito dos que tendem a olhar para nós, que vivemos no Interior, numa atitude de condescendência. Estranhamente, esta distorção acaba por se impor e nos moldar. A nossa unidade em torno do essencial será sempre um bom principio de conversa. É por aqui o caminho.

No Programa Nacional para a Coesão Territorial identificamos medidas para mitigar as desigualdades, valorizar as peculiaridades e melhorar a atratividade pelo Interior, tais como: incentivos ao emprego, turismo, promoção de políticas regionais e transfronteiriças, revisão do mapa judiciário, apoios fiscais e económicos, incentivos à fixação de médicos, etc.

Atentemos no que se diz: «O envelhecimento da estrutura etária da população está a criar pressões imediatas sobre a necessidade de diferentes serviços (nomeadamente na saúde e no apoio social), o que significa que está a registar-se um aumento de uma procura diferenciada de prestação de serviços.»

Mais, (…) «A atual tendência para a descentralização e desconcentração de competências pode constituir uma oportunidade para remodelar a oferta de alguns serviços públicos e criar emprego qualificado nos territórios do interior.» 

As infografias e os dados são postos diante de nós não como se fossem retratos de família para venerar, mas traduzindo uma realidade muito concreta. Nota-se um défice de conhecimento sobre o que somos e que também radica numa visão distorcida do que pretendemos. O combate é desigual.

A culpa também mora dentro de nós, os que vivemos no Interior, quando reivindicamos equipamentos, infraestruturas e tecnologias evoluídas quase que a pedir desculpa por já poderem existir em territórios vizinhos.

No seguimento desta nossa conversa direi que também nos cabe mudar de atitude, tornando-nos visíveis e reivindicativos até que nos ouçam e venham ao nosso encontro nos vários domínios da atividade social, económica e cultural.

Costuma-se dizer por estes lados que “p’ra trás mija a burra”…