Pousada da Juventude do Fontelo: concessão pública ou privada

por Carlos Cunha | 2015.04.29 - 11:35

 

 

A Movijovem é uma cooperativa de interesse público de responsabilidade limitada a quem compete a gestão da rede nacional de Pousadas da Juventude.

Esta entidade está a proceder à concessão da gestão de 14 Pousadas da Juventude entre as quais se encontra a de Viseu, cujo processo de concurso já foi publicado em Diário da República, podendo o mesmo ser consultado na sede da Movijovem, em Lisboa, entre os dias 24 de abril e 8 de junho.

A gestão da Movijovem tem-se pautado pela apresentação recorrente de resultados líquidos negativos e também pela incapacidade de a curto prazo gerar receitas próprias que assegurem a sua viabilidade económica e financeira (Fonte: Decreto-Lei n.º132/2004, de 03/09).

Tais razões foram invocadas pelo governo PSD/CDS, quando pelas suas cogitações, passou a intenção de proceder ao encerramento de tal entidade.

Contudo, o mesmo governo de coligação acabou por optar pela não extinção da Movijovem, tendo considerado que a mesma apresentava capacidades e conhecimentos que lhe conferiam apetência para gerir as Pousadas da Juventude.

Facilmente se depreende que dada a escassez de recursos financeiros e devido à ausência da perspetiva de resultados de gestão animadores, os responsáveis pela Movijovem entenderam proceder, por intermédio de concurso público, à concessão da gestão das Pousadas da Juventude, podendo as mesmas, como consequência do concurso, passar para entidades públicas, nomeadamente autarquias, ou privadas.

Se forem os privados a ganhar a concessão terão os mesmos de recuperar o capital investido e obter lucros com celeridade, o que poderá, numa lógica de mercado, levar ao empolamento dos preços a praticar.

No entanto, se a gestão das pousadas passar para o domínio das autarquias, estou certo de que os funcionários terão garantias de maior estabilidade na manutenção dos seus postos de trabalho. Por outro lado, o capital investido na concessão e na realização de eventuais obras de beneficiação/recuperação, poderá ser recuperado gradualmente por forma a não alterar em demasia os preços praticados. Numa lógica de gestão pública, a manutenção do serviço será sempre o mais importante, pelo que os preços serão sempre inferiores aos praticados por privados.

Confrontado se a autarquia viseense estaria interessada em ficar com a concessão da Pousada da Juventude do Fontelo, a resposta do edil viseense foi um taxativo e perentório não, alegando Almeida Henriques que o Município não estaria preparado nem possuía competências na área da gestão de pousadas.

A posição de Almeida Henriques pode, enquanto ato de gestão, ser considerada prudente, porém estamos perante um caso excecional em que Viseu poderá perder o único alojamento destinado ao público jovem, o que depois da desativação do Parque de Campismo do Fontelo, não deixa de constituir um revés inesperado na promoção e captação do turismo jovem.

A ver vamos se até ao lavar dos cestos é vindima, que é como quem diz estará Almeida Henriques disponível para rever a sua posição enquanto ainda é tempo?

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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