Portugueses em Angola. Haja bom senso

por Gabriel Costa | 2013.12.05 - 20:53

Não sei se sentem o mesmo que eu: há uma turbulência qualquer na sociedade portuguesa que não me deixa descansado. É um clima de guerra mediático, criado e patrocinado por uns tantos bloguistas, comentadores e politólogos, que, a coberto da liberdade de informação e da liberdade de expressão, estão a tramar a vida de muita gente, mas não a deles. Não está em causa o que pensam. Está em causa o que dizem, da forma como falam e escrevem, e, os púlpitos onde pregam. A coisa tem raízes numa aprendizagem esquerdista e enviesada da história de Portugal, de uma visão culposa do colonialismo português em África, e, de conceitos de liberdade encapotada baseada no “a mim, ninguém me cala”. Atiçou-se um fogo, cuja extinção se dará quando imperar o bom senso e acabar a militância politica destes senhores, que procuram visibilidade a todo o custo, mesmo que isso arraste e prejudique milhares de inocentes na verborreia das suas palavras. De um momento para o outro, descobriram que Portugal foi um país ferozmente colonialista, que, por força do 25 de Abril, abandonou miseravelmente os territórios ocupados há centenas de anos. Deveriam lembrar-se que ao sair das suas antigas colónias, os portugueses deixaram tudo e não destruíram nada: não incendiaram cidades, não dinamitaram pontes, fábricas, hospitais, escolas e igrejas, não afundaram os barcos, não entupiram as condutas de saneamento básico, não envenenaram as nascentes e os depósitos de água, não fizeram colapsar as barragens, não levaram carros e mobílias, e, nem sequer arrecadaram as poupanças de uma vida. Deixaram para trás um Património de gerações. Tudo ficou a funcionar, tudo ficou para servir os povos libertados. Tudo, menos a experiência profissional, a técnica e a massa cinzenta. Foram-se os homens, foi-se a força de trabalho. Aos políticos portugueses de então se deve o atraso na educação e na falta de formação dos angolanos. Os colonos, com raras exceções, ganhavam decentemente a sua vida. Se houve destruição, foram as condições políticas internas, mal assimiladas nos Acordos de Alvor, que descambaram numa guerra fratricida que matou milhões de angolanos de uma forma criminosa e indiscriminada. Foi uma guerra clarificadora, entre eles, que terminou numa paz duradoura, sólida e que veio para ficar.

Esta guerrilha Portugal-Angola, passaria completamente despercebida se o Ministro Machete estivesse calado? Talvez. Mas foi pegando no que ele disse, que as “mariazinhas” complexadas de esquerda se empertigaram. Capitaneadas por um antigo apaixonado de Angola (e ao que parece colecionador de marfim), acolitadas por um “opinador” de generalidades de olho arregalado e cara espantada, e secretariadas por um escriba com emprego certo, subverteram e ampliaram os decibéis do triste pedido de desculpas do Ministro. Qualquer tipo, medianamente inteligente, entenderia que aquilo era para “angolano ver” e acalmar as hostes. Era uma tentativa para atenuar as queixas pelas fugas de informação do Ministério Público, cirurgicamente transmitidas á comunicação social, sabe-se lá com que intensões. A incapacidade do Ministério Público português em resolver a alcoviteirice dos magistrados, deu início a um problema em que os emigrantes portugueses em Angola, foram os primeiros atingidos.

Quando o Presidente José Eduardo dos Santos deu o sinal de aviso à navegação, de que as coisas não estavam a correr bem – pois havia governantes e empresários angolanos condenados na praça pública pela comunicação social, sem qualquer julgamento pela Justiça – era de esperar que o bom senso imperasse. José Eduardo dos Santos não tem o costume de falar de coisas insignificantes. Era claro que o aviso tinha o peso suficiente para que as “comentadeiras” se preocupassem com a raiz do problema e não se armassem em virgens pudibundas. José Eduardo dos Santos defendeu, e bem, os seus cidadãos e os governantes da sua confiança independentemente de qualquer outra consideração. Angola tem um sistema judicial capaz de julgar e condenar os prevaricadores nacionais e se mais não faz ou não quer fazer, é um problema interno de Angola que só a Angola diz respeito.

Não pretendo minimizar, camuflar ou diluir os crimes, roubos e outras sacanices dos governantes, dirigentes políticos e militares angolanos. Os crimes de que são acusados em Portugal, são um grão de areia em relação à sua verdadeira dimensão. A questão, é que, a forma sistematizada e contínua como se processou a perseguição nos médias em Portugal, criou um mal-estar que tinha de terminar a bem ou a mal. Foi a mal, pelos vistos. Pelo menos politicamente! Terminou, ou pelo menos está suspensa, a parceria estratégica entre Angola a Portugal que poderá prejudicar seriamente milhares de empresas portugueses. É que, em Angola, a palavra do seu Presidente é ouvida e seguida, ao contrário de Portugal. Os quase 200.000 portugueses que aqui trabalham, não notaram qualquer má vontade no dia a dia e não se alterou o clima fraterno e as relações de trabalho com os seus companheiros angolanos. Tudo se mantém como dantes porque sempre houve respeito nas relações de trabalho, institucionais e amizade. Os angolanos defendem o seu Presidente porque este não verga na sua defesa mesmo além-fronteiras e compreendem que não são os expatriados os causadores deste clima de desavença.

São pois, essas “mariazinhas” canhotas, que alimentam a animosidade, apenas porque os seus pergaminhos de políticos têm de “representar” o expoente máximo da “Liberdade”. Esquecem-se da Fraternidade e da Solidariedade com 400.000 portugueses, que são quantos irão sofrer com a punição injusta que podem originar se continuam com essas alarvidades. Não queiram uma 2ª Ponte Aérea Luanda-Lisboa!

Bom senso, precisa-se!