Portugal e o Futuro: Rumo ao Capitalismo 2.0 (III)

por Carlos Martins | 2013.12.30 - 13:13

Philip Roth, diz que ninguém sai duma prisão de alta segurança (uma universidade) para ir a correr para outra prisão de alta segurança (uma multinacional). Enterrar-se numa consultora, apodrecer num banco, enlouquecer numa redacção, definhar num escritório, desperdiçar os neurónios para os senior partners passearem de Porsche Cayenne não está a dar.

A.Macedo

 

Apontadas nos artigos anteriores, algumas das origens das incapacidades de geração de riqueza, e da capacidade de crescimento da economia portuguesa, importa agora, neste 3 artigo apontar algum dos caminhos para o crescimento. Dentre várias possibilidades e cenários concentre mo nos num dos mais difíceis. A aposta no incremento da poupança dos Portugueses, e no esforço desta aposta ser concentrada somente em PORTUGUESES. Sermos nós, a tratar do nosso próprio problema. Encaixa se aqui o incremento e desenvolvimento do espírito Empreendedor. Deixando  de lado a poupança.

Incompreendido por muitos, considerado por outros uma “fashion buzzword“, este é um dos caminhos. Penoso. Difícil, e de longo prazo. Para os que querem resultados para amanha, isto não serve. Veja-se o desafio que se coloca a Portugal: a retirada de grandes empresas, as empresas criadas maioritariamente não ultrapassam o segundo ano de vida, cerca de 800 mil desempregados, e o fim do emprego para a vida!

Se cada projecto empresarial integrasse 2 pessoas, precisaríamos de 400 mil, se cada projecto englobasse 4 pessoas eram precisos 200 mil projectos. Todos estes projectos começam pequenos. É, e será uma regra. Isto não é um pecado. É uma exigência, com riscos. Claro. Mas para quem não tem recursos (financeiros, técnicos e humanos) esta é a via dolorosa. A durabilidade dos projectos, requer apoios e requisitos que diminuam estes riscos. As autarquias podiam assumir aqui um papel central. Serem plataformas geradoras de mudança. Apesar da situação dalgumas delas, estas podem dispor, de instalações inactivas – centros de saúde, escolas, tribunais etc – que podiam ser centros de desenvolvimento de negócios. Por outro lado, a disponibilização ou a criação duma estrutura técnica de recursos humanos especializados de apoio , facilitára a continuidade e a competitividade dos projectos . Estas maternidades seriam o “hub“, a caixa de derivação de redes de apoio e suporte, conjugando ligações com, institutos, universidades, associações empresariais, associações sectoriais, núcleos de empreendedores, capitais de risco, bancos, centros tecnológicos e de investigação, centros de formação, a sociedade civil (misericórdias, rotários…), os media (jornais, rádios, TV), editoras, embaixadas, empresas privadas, entidades publicas (IEFP, IAPMEI, I.Juventude…) e a boa utilização dos estímulos Europeus (Erasmus+, Novo Quadro etc…).  Acresce a este trabalho, um outro mais árduo: a identificação de centros de dados e informação, que potenciem novo conhecimento necessário aos projectos. É este o novo ecossistema. Cada autarquia do país deveria ter pelo menos uma “maternidade”, com objectivos definidos. Durável e com staff de apoio. Esta é uma maratona. Logo deve ser bem pensada, e planeada. As autarquias podiam/deviam identificar as competências e recursos distintivos da sua região, as quais podiam servir de elementos orientadores e distintivos de novos projectos.

Estes novos projectos devem ainda acautelar novos modelos de negócios, que tenham presentes algumas “driving forces”, e imperativos futuros. A aposta na internacionalização gradual, como determinante de sobrevivência, em detrimento da concentração exclusiva no mercado interno; o abandono da cópia e imitação de produtos/serviços, incentivando a inovação como elemento permanente da competitividade; abandonar a cultura da penalização do fracasso e, estimulara a tentativa e erro. O erro pode ser a fonte futura do êxito; e acima de tudo, projectos orientados para o mercado. Não são as ideias (good wishes) que devem fomentar os projectos, devem ser as oportunidades (resolução de problemas, soluções para necessidades não satisfeitas), que podem garantir projectos vencedores. As puras ideias podem ser armadilhas ilusórias, sem sustentabilidade a prazo. É também, o fim do trabalho para a vida, e o início duma nova geração empreendedora.

Assim, este caminho, é um desafio de longo prazo, que só poderá ter a mínima sustentabilidade se suportado por uma rede de apoios, alianças, parcerias e suportes (global network). Não é um esforço, nem de curto prazo, nem duma entidade isolada. Isto, só não é verdade para aqueles que acreditam que não há futuro – que no futuro estamos todos mortos. O capitalismo 2.0, será um novo modelo não especulativo, distribuído por milhares de empreendedores, que são capazes de criar valor, riqueza e empregos. Para se desenvolver precisamos de visionários, que violem o que H. Keller dizia – “há algo de mais dramático do que ser cego? Há. São aqueles que vêm mas não têm uma visão”.

PS: Não pergunte o que Portugal pode fazer por si, tente fazer algo por Portugal. Vá, Crie Algo de Novo.      

Bom Ano de 2014.