Portugal e o Futuro: Incapacidade de gerar Riqueza (II).

por Carlos Martins | 2013.12.17 - 14:53

Se os problemas originários da criação de riqueza em Portugal, forem: a dimensão das unidades empresariais, a sua débil estrutura financeira, a fraca qualidade de gestão, e o problema demográfico, então, importa entender algumas consequências destes factos.

❶ A distorção demográfica portuguesa vai originar uma sobrecarga nas pensões, reformas e subsídios. A melhoria recente do saldo primário, das exportações e do emprego, pode a prazo inverter-se de novo. O fantasma, não da despesa pública, mas da má despesa pública, pode também regressar. O Estado gasta consigo cerca de 50% do que produzimos em cada ano. A tragédia da dívida ameaça o País. Os juros continuam sem parar, rumo á insustentabilidade. A riqueza que criamos por ano não é suficiente para o Estado que temos. O país na última década endividou-se a um ritmo de 2 milhões de euros por hora. Vinte e quatro horas por dia, 365 dias por ano, durante 10 anos!

 

  2005 2010 2013
Taxa de   crescimento do PIB

0,8%

1,4%

-1%

Divida Publica (peso no PIB)

67,7%

93,3%

123,7% *

Juros da Divida (mil milhões)

4,9 mm€

8,3mm€

 

Tivemos uns magos, que achavam que a divida não se pagava. Rola. Não havia limites. Idiotas puros. O rating da república afundou-se dificultando o acesso, e o custo financiamento das empresas. Atrofiou-lhes a tesouraria, logo a sua sobrevivência. Consequência: a contaminação da competitividade empresarial, pela trágica governação politica. O sistema político contagiou o sistema empresarial.

❷ O declínio do crescimento económico (PIB) durante a última década, traduz a evolução da demografia empresarial portuguesa. A taxa de crescimento foi próxima de zero. Entendeu bem. Zero!

 

Taxa de MortalidadeEmpresarial 2004 2010   Taxa de NatalidadeEmpresarial 2004 2010  
Portugal

113252

199263

Portugal

143447

137808

Dão-Lafões

2303

3870

Dão-Lafões

2895

2958

 

Embora a média da taxa de mortalidade empresarial entre 2004-2010 fosse para Portugal de 156827 empresas, e na região de Dão Lafões fosse 3183; a taxa média de natalidade foi para Portugal no mesmo período, de 158483, enquanto em Dão Lafões foi de 3233 empresas. O problema não parece ser o de criar. Mas sim, o de sermos capazes de manter. A maioria dos projectos empresariais (cerca de 50%) não passa do segundo ano. Para além desta constatação, outro factor determinante, na explicação do problema, será a fraca capacidade de internacionalização das empresas. Só cerca de 20 mil exportam. E estas, concentram-se sobretudo no mercado Europeu. O restante tecido empresarial (98%), actua no mercado interno. Por falta de dimensão, de músculo financeiro, de rasgo (gestão medíocre) ou de oportunidade, ficaram atoladas no decréscimo assustador da diminuição do consumo interno. Oferecendo produtos indiferenciados, e de baixo valor acrescentado. Consequência: uma elevada taxa de desemprego – o sistema empresarial contagia o sistema social.
Desta forma, o sistema politico contaminou, o sistema empresarial e este, o sistema social. E assim se destrói a capacidade de gerar riqueza. Parece um ciclo infernal. D. Kaheman dizia recentemente “ os economistas têm uma mística porque sabem matemática. Eles são muito bons a explicar o que aconteceu, depois de ter acontecido, mas raramente antes”. E como manda a regra, só são surpreendidos por coisas grandes! E agora?