Portugal antidesportivo

por Vitor Santos | 2016.08.24 - 18:27

 

Portugal teve uma participação regular nos Jogos Olímpicos do Brasil. A desilusão estampada em alguma imprensa sensacionalista e por uns tantos pseudointelectuais só demonstra que não conhecem o país em que vivem.

Os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos merecem consideração e respeito. Portugal só pode aspirar a medalhas em modalidades individuais fruto do talento e dedicação de determinado atleta. As medalhas nos desportos coletivos não são para o país do “desenrasca”. Luciana Diniz, Fernando Pimenta, Filipa Martins, Ricardo Ribas, Rui Bragança são alguns nomes que só ouvimos falar durante o período de competição dos Jogos. Durante o resto do tempo são ignorados e deixados à sua sorte.

O título do Euro 216, pela seleção sénior de futebol, é um feito único e irrepetível. As circunstâncias em que ocorreram e o pragmatismo demonstrado foram fulcrais no alcançar desse título. A “receita” utilizada esgotou-se nessa conquista. No futebol em que o mediatismo é muito maior e as aparências são de riquismo e do tudo maravilhoso não condiz com a realidade. As seleções portuguesas de futebol e os principais clubes portugueses têm excelentes condições de trabalho ao contrário de, quase, todos os outros. Os quadros competitivos em Portugal continuam desajustados, os campos continuam sem público e só a clubite – muito portuguesa, leva alguns espetadores ao futebol. O adepto português dos “3 grandes” trocava o título europeu da seleção pela conquista do campeonato nacional pelo seu clube!

Esta é a realidade e constatamos que somos um país em que o desporto é uma atividade menor e que só o talento e trabalho de atletas e técnicos com apoio de alguns dirigentes podem levar a participações em provas de alta competição. O desporto escolar em Portugal regrediu. A educação física – e a visual e tecnológica, são desvalorizadas pelos vários governos. O desporto de formação é, quase, inexistente no interior do país, com enormes dificuldades as crianças e jovens conseguem encontrar competição em andebol, voleibol, hóquei, entre outras modalidades. Este é o retrato desportivo do país.

Os dirigentes partidários eleitos/nomeados para os órgãos governativos não têm tempo para políticas desportivas que não impliquem o resultado imediato. O evento desportivo comprado é mais fácil e mediático. A televisão é um promotor de papagaios que por uns euros prestam-se a fazer figuras ridículas e que atentam semanalmente contra o desporto. Perante as acusações e suspeições que dizem saber como continuam impunes e sem serem sujeitos a provarem tudo que dizem?! Isto não é desporto.

Bem vistas as coisas, e perante estes factos, até que a participação olímpica portuguesa é positiva. Obrigado aos atletas e treinadores portugueses. Uma saudação especial para os beirões Tobias Figueiredo e Tiago Ferreira.

 

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

Pub