Por detrás de mim virá quem bem de mim dirá

por Fernando Figueiredo | 2019.04.16 - 16:30

A língua portuguesa é rica, rica de lamber selos, colheres, botas e outras coisas que não vêm aqui a propósito, mas é também rica em inúmeros provérbios e o que diz que “por detrás de mim virá quem bem de mim dirá” aplica-se que nem uma luva a Fernando Ruas.

Perante a indesmentível circunstância de tantas vezes o ter criticado por erros de gestão que ainda aí estão e perdurarão, vejo-me perante a cruel circunstância de ter que apreciar o exercício dos seus mandatos por oposição ao que agora se regista no concelho.

Anos a fio Ruas, o político das rotundas, do alcatrão e da obra feita, nunca deixou, contudo, à oposição a possibilidade de crítica sobre as contas e orçamentos do município. Sempre de contas limpas e rigorosas, pautou por deixar folga orçamental ao seu sucessor, que num curto espaço temporal levou a saldo negativo de quase quatro milhões e ainda vamos a meio do mandato.

Como já ficou provado noutros artigos de opinião do Alexandre Azevedo Pinto, mais atento e qualificado que a amestrada comunicação social local, as contas são de tal forma desastrosas que até nem se compreende a conivente abstenção da oposição.

O orçamento proposto peca pela mesma falta de rigor, irrealista, sem qualquer solidez ou sustentação financeira e com total falta de credibilidade havendo até lugar à previsão de receita da nado-morta Assembleia Distrital, facto que não irá naturalmente acontecer e só prolongará o marasmo da inexistência da obra e em sua substituição o prolongar da propaganda, da festarola e do vinho… e para adoçar a sobremesa do S. Mateus!

Muito mais haveria para discorrer se fossem conhecidos os Relatórios de Gestão e Contas da Viseu Marca, as contas do SMAS ou até devidamente discriminadas as rubricas de “Outros e Diversos” onde 12,6 milhões de euros se falassem outro galo cantaria!

Na próxima AM espera-se que a oposição agora que já não anda às cegas e tem por onde se guiar cumpra o seu papel escrutinador e que perante tão ruim cenário não pondere outra resposta que não a rejeição deste documento de gestão. Saibam distinguir entre o palavreado oco dos estrangeirismos da treta, dos marketeiros da propaganda que conseguem “reinventar-se em novas experiências” e fazer corar o padre Fontes ao serem capazes de ter “saudades do futuro” e neguem sem receios “estes erros do passado”.

Para compensar, atitude tão ao gosto do actual executivo, proponham um voto de louvor ao executivo pela quantidade de inconseguimentos que em tão curto tempo foi possível acumular, o maior dos quais anda aí na rua e deixem lá vir as trotinetes. Nisso sim, fazem ver aos 20 e muitos anos de Fernando Ruas.

Fernando Figueiredo

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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