Partilha

por Maria Sobral | 2013.12.17 - 21:56

Encontramo-nos na altura em que ouvimos constantemente as palavras: dar, receber, solidariedade…mas eu tenho uma outra que prefiro bem mais que estas…”Partilha”. Implica mais do que um sujeito, implica vontade, implica amor… A partilha é tão maravilhosa que nem a ação se desenrola numa só direção, é mútua, contínua, infinitamente reversível…é vice-versa! Mas saber partilhar é um dom, porque partilhar não é dar, não é receber, é abdicar sem perder. Por vezes implica também perdoar, ou aprender a fazê-lo. Aprendi o valor e significado da partilha quando tive um irmão, os meus pais diziam: “partilha os brinquedos com ele”…eu fazia…e ficava sem brinquedos…mas perdoava…porque aqueles momentos em que brincávamos partilhando, criávamos laços e recordações que partilharemos até ao fim dos nossos dias. Só mais tarde descobri (por vezes de maneira assustadora), que esta brincadeira das partilhas entranha-se, mas só em alguns…e mais ainda naqueles que têm a sorte de partilhar os pais com alguém. Os filhos únicos são por regra muito avessos a este verbo, sim, porque para eles é um verbo, que se conjuga mas não se usa. Quando adultos lá entenderão, mas até lá deixam os amigos de escola indignados com os nãos que recebem aquando de pedidos simples, ou em situações em que se esperavam respostas instantâneas, quase reflexas como: “usa o meu, toma” ou “brincamos juntos”. Exceções existem, não porque isto seja regra, mas porque é assim que a humanidade processa, há gente sem irmãos que partilha e gente com eles que nunca aprendeu a partilhar. Nesta época natalícia se pudesse pedir um desejo global, era esse, o de que todos, sem exceção, partilhassem! Não déssemos, nem recebêssemos, mas puséssemos à disponibilidade dos outros aquilo que temos em fartura, uns poderiam ter para partilhar só amor, amizade, até a tal da solidariedade; mas outros têm muito mas muito mais, mais do que a outra metade tem, que partilhada, ai que bem que (traria) fazia. Experimentem…

Geóloga por graduação e afeição telúrica natural. Formadora na Escola Profissional de Sernancelhe. Técnica dinamizadora do Centro Interpretativo Aldeia da Faia. Promotora de consciência ambiental e cultural.

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