Paris!

por Ana Albuquerque | 2015.11.14 - 13:45

 

Era julho, final de um mês quente e luminoso, mas em Paris o calor suportava-se bem! Sorríamos à vida. Gozávamos o prazer da descoberta da cidade dos sonhos, da cidade onde tudo pode acontecer, da cidade das luzes, das montras dos grandes armazéns, dos perfumes inebriantes e caros, das estátuas enormes, dos edifícios que faiscavam ao sol, do ruído do metro que se aproximava feericamente e nos levava de uma margem para a outra margem do Sena, para a outra margem da vida!

Vivemos intensamente as filas dos museus, com uma baguete na mão. Fomos ao Louvre para observamos, bem de perto, a Gioconda, e o seu sorriso enigmático, a afrodisíaca Vénus de Milo, a amputada Vitória de Samotrácia…

Palmilhámos, uma a uma, as ruas, decorámos os lugares, percorremos os jardins, deitámo-nos na relva e fomos os amantes que povoam os romances franceses da nossa juventude. Fomos à Ópera, a Nôtre Dame, subimos a Montmartre, ao Sacré-Coeur, um lugar indescritível, povoado de gentes de mil cores e aspetos, de artistas, de boina, a pintar nas ruas ao som do acordeão…Comprámos postais, lenços de seda, brancos azuis e vermelhos… Reencontrámos Toulouse Lautrec e Van Gogh e Monet e… Entoámos canções de Piaf, de Brell, de Joe Dassin…Dançámos, de mãos dadas, sobre as pontes, entoando versos de Valéry e de Éluard! Passámos, apressados, o Bois de Boulogne, à noite, onde todos os encontros se fazem e desfazem. Flanámos pelos boulevards. Fomos ao Moulin Rouge e espreitámos as cenas eróticas, furtivas… Amámo-nos, debaixo da luz penetrante do Arco do Trinfo. Subimos à Torre Eiffel, a única, a maravilha, e lá do alto, dominámos a cidade, as suas brumas, o rio lento, os barcos minúsculos… O vento puxava-nos os cabelos e sorríamos para as câmaras, protagonistas de um filme de Woody Allen, que passaria, uns anos mais tarde, nos ecrãs…

Voltei grávida, da primeira filha! (A minha mãe dizia, por graça, que ela era alta porque tinha sido feita na Torre Eiffel).Ficámos unidos à cidade para sempre. Voltámos lá mais vezes! Ontem, à noite, estivemos, em Paris, com todos os que choraram a morte, a perda, a desilusão, o fracasso momentâneo, dorido, da igualdade, da fraternidade.

Hoje, somos a esperança de voltar lá, outra vez, e poder gritar juntos, de novo, com Moustaki, Liberdade!