Para que servem os rankings das escolas públicas?

por Ana Albuquerque | 2014.12.01 - 11:28

 

A divulgação nacional dos resultados da avaliação dos alunos, em provas de exames nacionais, foi defendida por David Justino, Ministro da Educação de um dos governos PSD e atual Presidente do Conselho Nacional de Educação, que a assumiu, segundo o mesmo, numa ótica da responsabilidade e de coerência com a nossa participação em avaliações internacionais, considerando que é necessário conhecer e problematizar a realidade para conseguir compreendê-la.

Para este sociólogo, a discussão e a polémica que gerou foi positiva por levar à reflexão crítica, apesar de ter conduzido a algumas leituras unidimensionais, reducionistas ou deterministas, de reprodução das assimetrias e exclusão social. No seu livro No silêncio somos todos iguais (2005) aponta para a necessidade de trabalhar os dados, em centros de investigação, não ficarmos por leituras redutoras, apresentadas em parangonas dos Media nacionais, e elaborar listas ordenadas de escolas com os mais variados critérios, agregando variáveis que incluam diversos fatores de ponderação, por exemplo, as taxas de retenção, os níveis de abandono escolar e as características socioeconómicas dos alunos de cada escola, como um topus específico.

Palavras como eficácia, competição entre escolas, rankings, publicitação de resultados nos meios de comunicação social, alunos entendidos como clientes/consumidores, exames, avaliações externas, resultados, qualidade ganharam fôlego nos discursos da educação.

Estes juízos, sobre a qualidade ou eficácia de um estabelecimento de ensino, em função das suas performances, colocam-nos perante o debate de duas culturas: a do produto final, o resultado, e a do processo, isto é, o aperfeiçoamento de cada escola não apenas como um objeto de avaliação pública mas, fundamentalmente, como sujeito da sua própria avaliação.

O debate tem que ser travado num plano mais elevado, num plano político, no seu sentido lato, que procure responder à questão da finalidade da escola: local de aprendizagem – importância do valor democrático – ou local de seleção – importância do valor económico?