PARA QUE SERVE A CGD?

por José Carreira | 2016.09.17 - 10:48

 

 

A Caixa Geral dos Segredos que ninguém quer revelar, inviabilizando uma comissão de inquérito parlamentar que alegadamente poderia prejudicar o banco, ameaça continuar a ser um negócio de alguns que todos têm de pagar. É um negócio político, em que alguns julgam que correrá tanto melhor quanto maior for o segredo. A factura continua a ser em milhares de milhões. E, assim, já toda a gente perdeu a noção do quanto anda a pagar cada contribuinte (Paulo Baldaia, Diário de Notícias)

 

Paulo Baldaia, um jornalista que admiro, fez uma boa radiografia ao “nosso banco”, ao banco de todos os contribuintes, mais de uns que beneficiam dos milhares de milhões do que de outros, nós, os contribuintes que continuamos a pagar a conta que nos apresentam sem pestanejar.

Afinal de contas, para que serve a Caixa Geral de Depósitos?

O meu último contacto com a CGD foi na agência da Praça da República, em Viseu. Quase um mês após o pedido de análise a um putativo financiamento para a reestruturação da instituição que dirijo, cliente há meio século, sem nunca lhes dever um cêntimo, vi-me obrigado a contactá-los e a verbalizar o meu desagrado pelo desrespeito demonstrado. Avisei que, caso não fossemos contactados em 48 horas, iria apresentar uma queixa à administração. Surtiu efeito, nesse mesmo dia fui contactado por três colaboradores, duas senhoras simpáticas e o gerente. Reunião agendada para o dia seguinte, às 9H00, ficou bem plasmada, nos rabiscos a lápis de carvão, no documento que, há quase um mês, tinha deixado em mão, a profundidade da análise à nossa solicitação. O resultado foi, como adivinhará o estimado leitor, negativo, o senhor gerente considerou não estarem reunidas as condições para que pudesse ser aprovado um financiamento.

Pensei, não temos qualquer dívida à banca; temos algum património imobiliário; somos clientes há 50 anos e não reunimos as condições para um financiamento?

Das duas uma, ou a CGD e os seus ilustres gerentes apenas gastam o seu precioso tempo a estudar, em profundidade, os projetos de quem tem muitos milhões ou de quem lhes deva muitos milhões…

Recordei, não sem tristeza, as palavras do amigo Pedro, “se lhes deveres uns milhões”, – costumam dar-lhes nomes pomposos… imparidades… ativos tóxicos… crédito mal parado.- “o problema deixa de ser teu e passa a ser deles que tudo farão para o recuperar, até poderão conceder mais e mais crédito…”

Talvez a ideia do Pedro possa ser algo especulativa, mas dá que pensar…

Se a CGD não apoia as pequenas e médias empresas e as instituições da Economia Social, com todo o respeito pelos seus colaboradores, em que se distingue da banca privada?

Afinal de contas, para que serve a Caixa Geral de Depósitos?