Para onde tende a sociedade?

por Luís Ferreira | 2017.07.21 - 18:26

 

A evolução da sociedade é, felizmente, uma constante. Talvez nem sempre tome o rumo mais acertado, mas adapta-se ao momento e às circunstâncias. Hoje, ninguém imaginaria viver numa sociedade de regras extremamente rígidas e desiguais, abdicando da liberdade ou de tantas outras coisas maravilhosas que hoje dizemos serem direitos fundamentais.

A sociedade em que vivemos é mestre no conhecimento e raciocínio. Somos ótimos e formados. Idealizamos, criamos, desenvolvemos, aperfeiçoamos e queremos sempre mais e melhor. Mas tudo o que tem um lado bom, tem também um lado mau. E, como falar do que é bom não é assim tão motivante, farei aqui uma introspetiva crítica àquilo que, aos meus olhos, é a sociedade atual.

A nossa sociedade é perversa e a sua evolução tem seguido um caminho nem sempre claro. Somos a sociedade da mediocridade e altivez, do “Sr.”, do “Dr.” e “Engenheiro”. Somos a sociedade do conhecimento, mas também aquela que mais critica, mais sugere e pouco faz. Somos a sociedade que foi apanhada pela ratoeira do dinheiro: fala-se por um tanto, cala-se por mais algum. Uma sociedade que perdeu parte do posto que sempre foi a humildade, para se tornar bem mais materialista, onde o melhor é aquele que tiver o melhor carro e vestir a marca mais cara. Uma sociedade que vê a felicidade no dinheiro, tantas vezes esquecendo as pequenas coisas bem mais importantes. Uma sociedade que apela à igualdade, mas que tantas vezes distingue cores, raças ou religiões. Uma sociedade que se começa a preocupar com o “green” mas onde ainda se desacredita o aquecimento global e os seus efeitos.

A evolução da sociedade é indiscutivelmente admirável. Aprendemos imenso e aperfeiçoámos o modo de viver em sociedade. Mas será que não deixámos para trás valores que devíamos ter mantido? Certamente. O rumo que tomámos é, como disse, de certa maneira, perverso. E, por isso, seria bom que reconsiderássemos (ou pelo menos refletíssemos) esta maneira de ser, para um futuro conjunto mais próspero. Será que tendemos para lá? Para onde tendemos nós?

   Ilustração de Steve Cutts

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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