Os subvencionados

por Carlos Cunha | 2019.09.04 - 08:14

Foi publicada a lista dos beneficiários das subvenções vitalícias, pagas pela Caixa Geral de Aposentações.

Esta manjedoura doirada foi criada em 1985, pelo governo do bloco central formado por PS e PSD, liderado pelo então primeiro-ministro Mário Soares.

Em 2005, foi o governo de outro socialista a acabar com elas, mas quem as recebia até àquela data viu as suas mordomias salvaguardadas.

Não deixa de ser irónico que o primeiro-ministro que pôs fim às subvenções vitalícias seja hoje um dos seus beneficiários. Para pasmo geral ou não estamos a falar de José Sócrates, que cumpriu pena no EP de Évora e que tem mais um punhado de investigações às costas.

As subvenções foram criadas para compensar generosamente, acrescento eu, políticos, ex-governantes, juízes do Tribunal Constitucional pelo tempo que dedicaram ao serviço da causa pública. Esta subvenção é acrescentada à pensão, compondo de sobremaneira o rendimento mensal. O direito a estas subvenções era adquirido de forma automática ao fim de 8 a 12 anos de serviço político ou no Tribunal Constitucional. O tempo passado em exercício de funções políticas era o principal requisito necessário à sua obtenção. Só assim se percebe que competentes, incompetentes, honestos e desonestos, empenhados e calões fossem todos premiados pela mesma e generosa medida.

Não se percebe muito bem como é que as subvenções escaparam à voracidade da troika, perdendo-se então uma boa oportunidade para lhe pôr cobro.

Indecoroso é ver políticos julgados e condenados nos tribunais continuarem a usufruir deste privilégio! Finalmente, como é que Mário Centeno, tão dado às cativações, não teve a coragem política suficiente para enfrentar os aparelhistas subvencionados. Se ainda sobrar água dos banhos de ética bem podia ser usada para lavar a quente alguns destes privilégios doirados que são autênticas nódoas muito difíceis de remover.

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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