Os professores e os finais de período

por Carlos Cunha | 2015.12.19 - 20:52

 

 

1. Sempre que se chega ao final de um período letivo, os professores são invadidos por duas sensações distintas: a primeira é de missão cumprida por terem concluído a primeira etapa das três em que se divide o ano letivo. A segunda é a de que ainda falta cumprir a missão burocrática da avaliação. Na verdade, até o processo avaliativo estar concluído têm pela frente um conjunto de reuniões e o preenchimento de um incontável número de papéis, relatórios, atas e planos de recuperação.

É legítimo questionar a utilidade de toda esta documentação, que aporta ao processo avaliativo toda uma carga burocrática de trabalhos, que nem sempre corresponde a um maior sucesso educativo. Se os problemas dos alunos se resolvessem apenas pelo preenchimento de documentos certamente que estaríamos na dianteira do sistema educativo europeu.

Em todo este processo, o papel da informática é indispensável e podemos mesmo afirmar que a mesma está para o processo avaliativo assim como os projetores multimédia estão para certos conferencistas, que sem este precioso auxiliar empancam e embatucam, parecendo não ser capazes de apresentar e desenvolver com à vontade o tema que ali os trouxe e no qual são especialistas.

Quando confrontados com a burocracia do processo avaliativo, alguns docentes têm tendência para protestar alegando que estão fartos de tanta papelada. Porém, feito o desabafo acabam por levar com denodo a carta a Garcia, uma vez que há prazos a cumprir e ninguém quer ficar para trás.

2. As alterações governativas efetuadas pelo governo da Geringonça começam a fazer-se sentir na Escola. O fim dos exames do 4º ano podia ter sido o primeiro tiro no pé. Tratou-se claramente de uma medida a pedido da Fenprof, sindicato liderado por Mário Nogueira e que gerou contestação na opinião pública. Devido à celeuma levantada, considerou o Ministério da Educação, agora liderado pelo socialista independente Tiago Brandão Rodrigues, retroceder nas suas intenções, reabilitando a Prova de Aferição. Foi acertada a decisão do novo Ministro, visto que no 1º Ciclo se deve privilegiar a vertente formativa da avaliação. O Exame do 4º ano, proposto por Nuno Crato, tinha um peso de 30% na aprovação final do aluno, o que, neste nível de ensino, me parece excessivo.

Neste nível de ensino, todo o processo de ensino é desenvolvido por um professor, paradigma que, aos poucos, também começa a mudar com a introdução obrigatória do ensino do Inglês, pelo que deve ser aquele, em colaboração com o Conselho de Docentes, a ter a palavra decisiva no momento de formalizar a avaliação.

Dado estarmos próximos do Natal, tempo de família e de paz, é bom que o recém- empossado Ministro não caia na tentação de produzir legislação apenas para deixar a sua marca. A paz e a estabilidade são condições fundamentais para que as escolas possam produzir o seu trabalho.

A todos os leitores do Rua Direita, votos de um santo e feliz Natal!

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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