OS HOMENS E OS DEUSES

por Elísio Oliveira | 2013.12.18 - 00:10

Figuras históricas como Nelson Mandela , Luther King , Mahatma Gandhi e muitos outros, que suscitaram e suscitam uma infinita admiração que atinge, por vezes, um quase endeusamento, são homens, não são Deuses. São a prova de que o homem pode ,ele próprio, melhorar e construir o caminho da sua história.

São homens de tamanho natural, mas com um espírito do tamanho do mundo, do tamanho da vida. A força da sua vida, da sua história, do seu exemplo, do resultado das suas acções agigantam-se perante os comuns dos mortais. Pela sua proximidade, acabam por ser os nossos deuses sociais e espirituais mais imediatos e mais concretos. A grandeza dos seus espíritos é um ponto de encontro para aqueles que desejam um mundo melhor.

O homem é sempre ele e a sua circunstância. Graves circunstâncias tendem a fazer grandes homens. O apartheid “fez” Mandela e Mandela, heroicamente, desmantelou o apartheid. O racismo ” fez” Luther King e Luther King teve um sonho.

Um líder com grandeza e com visão é envolvido pelos apelos da sua circunstância. Mas a história tem circunstâncias e contextos marcados por buracos negros, por falta de líderes que respondam aos seus apelos. É o que se passa actualmente na Europa.

A Europa não tem hoje arquitectos políticos que lhe desenhem o futuro. Nem tem engenharia institucional e financeira que lhe dê forma continental. É cada vez mais um fantasma que paira sobre os egoísmos nacionais dos mais fortes e os desleixos dos mais fracos.

Este é um tempo em que falta alguém que dê um impulso vibrante a este adormecido continente.

Há políticos que produzem história e há políticos que consomem história. Os que avultam em benefício dos seus povos e do mundo e os que banalmente se apagam com o tempo. Esperemos que o tempo nos traga gente inapagável.