Opções

por Ana Beja | 2015.09.22 - 10:08

 

Ser-se perfeitamente normal é chato. É tal e qual como a água. Sem sabor. Mas isto de ser-se normal também é um conceito muito básico! Ao fim ao cabo, ser normal é um verdadeiro aborrecimento, pois é na diferença que está o verdadeiro brilho. A verdadeira essência. Pelo menos é a minha opinião! E vale o que vale!

Nos últimos dias, a propósito de um atleta olímpico que decidiu mudar de sexo (aos 65 anos, por não ter conseguido viver mais na mentira) que tenho ouvido palavras como transsexualidade, identidade de género, orientação sexual, homossexualidade, entre outras e tenho constatado que ainda reina o preconceito e o julgamento. O preconceito de quem acha que tudo isto é “contra natura” e o julgamento de quem não compreende como é que se pode mudar de sexo ou vestir-se de mulher, quando na realidade se nasceu homem!

Que raio?!! Mas afinal, não somos todos seres humanos? Não nascemos todos da mesma maneira? Não temos todos cabeça, tronco, membros? Coração?? Não somos todos providos de sentimentos? E de sofrimento, também! Imaginem a infelicidade de alguém, que nasceu homem, mas que se identifica como mulher, e tem de enfrentar uma série de padrões impostos pela sociedade. Já imaginaram a luta interior de alguém que tem de se assumir perante uma sociedade preconceituosa e pouco tolerante? Imaginem serem alvo de gozo, de desprezo, de indiferença e indignação, simplesmente por gostarem de pessoas do mesmo sexo?

Já pensaram na angústia, na vergonha e no sentimento de culpa com que estas pessoas se debatem diariamente? Já não é uma pena tão pesada? Quem sou eu para julgar alguém? Não deve ser fácil viver na pele que não se sente. Não é fácil fingir o que não se é. Quem gosta de viver rodeado de rejeição ou pensar que os seus sentimentos são inadequados e impróprios, só porque não faz parte do mesmo “clube dos outros”?

O que é que interessa se o Zé gosta do Zé, se a Maria gosta da Maria ou se a Maria quer ser Zé? Não são os nossos atos que nos definem? O nosso caráter? Não é a maneira como nos relacionamos, a forma tratamos os outros e o respeito pela liberdade que nos caracteriza enquanto pessoas? Ou são as nossas opções individuais? Os nossos gostos? Porquê que o facto de não me sentir bem na minha pele e de querer uma mudança, poderá condicionar e influenciar a minha vida enquanto ser humano? Porquê é que por ser homossexual me está vedado uma série de direitos, aos quais teria livre acesso, caso fosse heterossexual?

Tenho pena que ainda existam tantos preconceitos em relação ao que muitas vezes se acha “fora do normal”. Considero que aquilo que nos define são as nossas atitudes e não as nossas orientações sexuais. Considero que o que faz de nós Seres Humanos é a capacidade de aceitar o outro e respeitá-lo. Tal e qual como é. Sem filtros ou julgamentos. Até porque seja qual for a matéria que nos compõe, duma coisa tenho a certeza… é que por dentro somos todos iguais!