O Tio Marciano

por Carlos Cunha | 2019.11.05 - 19:01

Corria a década de 80, do século XX, quando o meu tio Marciano, distinto e respeitado habitante de Marte, resolveu visitar a sua família terráquea, que vivia em terras lusitanas.

O meu tio Marciano aterrou a sua ágil nave espacial nas traseiras da nossa casa. A minha mãe ainda se zangou com ele, pois ao aterrar ainda lhe deu cabo do canteiro das roseiras, que era o seu predileto e onde eu colhi, corria a minha puberdade, a minha primeira rosa vermelha para oferecer.

O meu tio Marciano gostou muito da cidade, principalmente da Sé e da Rua Direita, que na década de 80 fervilhava de comércio e de pessoas.

Se ele cá viesse agora ia admirar-se bastante, pois, iria estranhar o sossego e a falta das pessoas, mas sempre podia ia ao Bidarra beber uma taça de tinto acompanhada com uma patanisca de bacalhau.

Ora, como vos queria contar, o meu tio Marciano era generoso e quando se foi embora para nos compensar do acolhimento, das vezes que deixava a luz do candeeiro acesa e pelas vezes que não baixou o tampo da sanita, coisa que irritava solenemente a minha mãe, resolveu recompensá-la generosamente com uma mala cheia de dinheiro.

Ao câmbio atual seriam mais ou menos cinco milhões de euros, o que me permitiu viver folgadamente e acima das minhas possibilidades ao longo destes últimos anos.

É o que dá ter familiares em Marte generosos e bem na vida!

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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