O Réquiem dos Exames do 4º ano

por Carlos Cunha | 2015.11.30 - 06:28

 

 

Esta semana finaram-se os Exames Nacionais de Português e Matemática para os alunos do 4º ano através de uma proposta conjunta apresentada pelo BE e PCP, que mereceu a concordância da maioria parlamentar de esquerda.

Politicamente, esta foi uma medida fácil de tomar pelo Executivo liderado por António Costa, já o argumentário que lhe subjaz carece de reflexão.

Acabar com os Exames por causa da pressão a que os meninos de 9/10 anos estão sujeitos parece-me sinceramente despropositado. Que dizer então da pressão que essas mesmas crianças sofrem quando praticam futebol de competição? Que dizer quando esses pais pressionam os filhos para que cumpram um desejo que é o deles, que por vicissitudes várias não conseguiram atingir?

Por outro lado, ouvir a deputada Ana Virgínia do PCP afirmar que os Exames fazem das crianças cavalos de corrida é algo que ilustra a forma como alguns destes senhores pensam a Educação, ainda que se auto intitulem paladinos solitários no mister da defesa da Escola Pública.

No caso do 1ºCEB, os Exames devem servir como mecanismo de regulação do sistema de ensino, assumindo um caráter formativo, como era o caso das também extintas Provas de Aferição. Nesta perspetiva, caberá sempre ao professor da turma, coadjuvado pelo Conselho de Docentes, a decisão crucial da aprovação ou reprovação, uma vez que é ele quem melhor conhece os seus alunos.

Por outro lado, há, a meu ver, medidas mais urgentes e necessárias a aplicar neste nível de ensino e que passam pelo fim imediato das turmas com quatro anos de escolaridade, pela redução do número de alunos por turma, pelo reforço do apoio educativo a crianças com dificuldades de aprendizagem ou pela aposentação dos docentes com 36 anos de serviço, de modo a que a renovação se processe na classe docente.

Resta saber se haverá a mesma vontade política para que estas promessas se cumpram, uma vez que, constavam do caderno de encargos da esquerda.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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