O que sobra em descaramento…

por João Figueiredo | 2014.01.13 - 10:13

 

Recentemente, um vigilante de Lisboa entregou-se às autoridades confessando ser ele o assassino de duas pessoas. Os infaustos acontecimentos tinham ocorrido há mais de cinco anos.

Demorou, mas arrependeu-se.

Dei comigo a pensar neste facto e de como seria um importante sinal se os responsáveis políticos, nomeadamente aqueles que hoje estão na oposição, parassem um pouco e expressassem ao povo português o seu arrependimento pelas decisões erradas que ajudaram a conduzir o nosso país à situação difícil que temos vivenciado nos últimos dois anos e meio.

Mas se ausência de arrependimento já é, por si só, um sinal de evidente alheamento da realidade, o simples facto de voltarem a insistir no mesmo tipo de comportamento deixa-me extremamente preocupado.

A título de exemplo refiro a reação do Secretário-geral do Partido Socialista a propósito do chumbo do Tribunal Constitucional ao diploma de convergência das pensões.

Segundo ele o governo devia negociar, de imediato, com os credores para que o defícit fosse aumentado em 0,2%. Afinal “são só duas décimas”, chegou, demagogicamente, a afirmar!

O que este responsável político se esqueceu de lembrar a todos os portugueses é que a meta do defícit negociada para este ano é de 4% e de 2,5% para 2015.

Ao pedir para aumentar o deficit deste ano, nem que fosse “só umas décimas”, o mesmo é dizer que teremos acrescentar cortes àqueles que, inevitavelmente têm de ser levados a cabo nos próximos anos.

Esta forma irresponsável de fazer politica e o respetivo comportamento indiciam aquilo que todos sabemos: se o PS fosse governo não só não cumpria os compromissos junto dos credores como continuava a aumentar o déficit.

Afinal, nada de novo na tradicional prática politica socialista: empurrar para a frente os problemas com a barriga e quem vier a seguir que resolva.

Foi assim no passado. Todos estamos lembrados das afirmações de José Sócrates quando defendeu que as dívidas não são para ser pagas, somente geridas.

E o tamanho das dívidas por ele criadas foi tal e a sua gestão impossível que tivemos de chamar os credores para que o país continue a ter uma vida normal, agora à custa do sacrifício do nosso povo.

Mas isso parece não importar aos socialistas pois sobre a desgraça que provocaram ao país, nem uma palavra.

Nem um simples arrependimento.

Entendo que os portugueses têm de estar atentos a este malabarismo e a esta forma irresponsável de estar na vida política. Mais, entendo que os portugueses não deviam proporcionar, aos socialistas, nova oportunidade de conduzirem os destinos do país enquanto os seus responsáveis não pedissem, publicamente, desculpa pela sua desgraçada governação.

O que lhes falta em sério arrependimento sobra-lhe em inqualificável descaramento.