O poder dos mangas-de-alpaca

por PN | 2016.12.14 - 12:23

 

 

“Ponde fé no aceitar o alheio modo
atentando que os tolos nos enganam
aonde mais se enganam com o engodo
das obscuridades que derramam
e são caudal de fezes e ruim lôdo.”

As Quybyrycas – Frei Joannes Garabatus

 

 

 

Com algumas nomeações de comissários políticos por parte do anterior governo, assiste-se com vergonha e espanto à colateral escalada dos alpinistas-mangas-de-alpaca que quase se guindam, por inércia, atrito e inépcia dos mandantes, do alto da sua 4ª classe mal-esgalhada, a coordenadores e directores de faz-de-conta da “coisa pública”.

Indivíduos pouco qualificados, arrogantes porque acoitados pelo manto tenebroso dos pré-demitidos agentes, arrastam a sua prepotência e torpeza por corredores sombrios de gente persecutoriamente impedida de exercer as suas capacidades funcionais, alguns com carreiras longas e comprovadas de muitas décadas.

Por seu turno, o governo distante e alheio das atrabiliárias práticas vigorantes, vai dilatando com inexplicável cumplicidade e num ensurdecedor silêncio os mandatos da trupe, tresvairando nos seus derradeiros meses e acordando quotidianamente com o objectivo obsessivo: “quanto mal vou fazer hoje?”

Raramente um aparelho partidário atingiu tais píncaros de asneira no amiguismo acriterioso, sem mérito nem sustentação para a escolha dos nomeados, que são, em geral, espelhos nítidos dos nomeadores.

Provavelmente gente que aparece na política regional para ser décadas a fio, uma sombra inábil da mediocridade, incapazes de assumirem os seus actos e nunca tendo, em anos de “encosto” partidário, feito mais nada senão auto privilegiarem-se e aos seus acólitos de circunstância, com a oportunidade da promoção.

Há partidos políticos, neste rotativismo enjoativo de sempre-os-mesmos, que por acção da tropa fandanga, parecem ser, mais do que Missões no nobre exercício das funções da “polis”, albergues espanhóis toados a tacão e castanholas.

Todos os partidos têm tenebrosos torquemadas… mas alguns abusam, não alcançando que a leviandade do seu agir tem um acutilante efeito de boomerang sobre o “aparelho” que servem ou de que se servem e de onde os mais lúcidos começam a fugir como demo da cruz…

Tudo terá custos, só pelos néscios ignorados. Provavelmente, algumas facturas serão já emitidas nas próximas autárquicas, a escassos dez meses de distância.

Pena é que no “ruim lôdo” de alguns, possam tantos vir a escorregar…