O poder das pessoas

por Ana Beja | 2015.09.10 - 22:24

Sempre me considerei perseverante. Caçadora de sonhos e castelos no ar. Irremediável fantasista, fazedora de coisas e otimista ingénua, acreditando que todos somos bons e justos e que o ser humano é imperfeito, mas que essa imperfeição nos conduz à sabedoria e ao enriquecimento.

Acredito no poder das pessoas. Na sua força e capacidade. Na vontade de mudar o mundo e transformar mentalidades. As pessoas inspiram-me. Principalmente aquelas que conseguem revirar o seu destino. Que não se acomodam com o razoável e que mesmo sem verem a luz ao fundo do túnel o atravessam. No escuro e sem medo. Muitas vezes com as pernas a tremer, mas atravessam-no. Derrubam barreiras e transpõem pontes. Às vezes mal conseguem andar, mas a força de lutar é maior do que qualquer outro sentimento derrotista e fraco.

Gosto de pessoas que não desistem. Que vão à luta. Pessoas que caem vezes sem fim mas que se levantam. Pessoas que renascem cada vez que batem no fundo. Que aprendem com os erros e batem com a cabeça, usando-os para as fortalecer e criarem crosta. Com erros que as moem mas não as matam.

Essas pessoas são especiais. Têm luz própria e são possuidoras de uma energia contagiante. Brilham em cada gesto que fazem e tempestade que defrontam. E estão sempre intermitentes. Sempre prontas e em alerta para desbravarem mais um caminho curvo e sinuoso, onde o mais pequeno deslize as faça despistar e sair do trilho. Estas pessoas não aceitam meias verdades, não ficam com as coisas pela metade nem brindam a olhar para um copo meio vazio. Falam com o coração nas mãos, de peito aberto e dando alguns pontapés na gramática, pois pouco lhe interessam as palavras polidas, vazias e sem sentido.

Essas pessoas fazem-nos acreditar que há sempre esperança e que esta nunca é a última a morrer. Mostram-nos que as longas viagens começam com um passo e que enquanto não tivermos conhecido o inferno, o paraíso nunca será suficientemente bom para nós.

Deus me livre do dia em que deixar de acreditar nas pessoas e de me inspirar nas suas vidas. De aproveitar as suas lições e de ver que a persistência realiza o impossível. Não nos esqueçamos de que as torres mais altas nascem do chão e que há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.