O poder, ainda, da televisão

por Vitor Santos | 2016.01.27 - 10:20

 

 

A política serve-se da imagem para a propaganda e até manipulação ideológica. Mas, nem sempre, a imagem serve de poder propagandístico.

Sabe-se que a informação “orientada” pela televisão pode causar reações contrárias ao previsto. A demagogia ao ultrapassar a experiência técnica e artística, quase sempre afasta telespetadores. Não há elementos criteriosos sobre a propaganda (leia-se também: muitos discursos parlamentares e debates desinteressantes) transmitida na televisão. Mas não admira que certas imagens, à força de se repetirem na TV, provoquem no público alguma repugnância e passividade que, infelizmente, nem os políticos pareceram compreender nem os responsáveis da televisão lhes sabem demonstrar. Os efeitos (como os de boomerang) são, por vezes, invertidos.

Saber fazer a gestão de comunicação e de imagem continua a ser uma mais-valia incontornável.

A política exerce em todo o mundo grande influência sobre os órgãos de Comunicação Social, em particular sobre a Televisão. A informação está em muitos países controlada, direta ou indiretamente, pelo poder político. Registam-se influências ideológicas sobre programas. No entanto, também os meios de comunicação exercem influência sobre a política e sobre as ideologias (quantos resultados eleitorais, por exemplo, se devem à influência dos meios de comunicação?). O conflito, entre ambos, nasce exatamente nesse jogo de influências mútuas.

A sociedade contemporânea vive já dominada pela tecnologia. A vida do Homem e das coisas liga-se, atualmente ao progresso da comunicação social e aos suportes físicos das mensagens. Hoje em dia, é extraordinária a capacidade do Homem em fazer circular notícias. A imagem dos acontecimentos transmite-se num ápice, de um lado ao outro do planeta, no preciso momento em que os fatos se produzem.

Os jornalistas terão, mesmo assim, a possibilidade de informar? O público é, agora, espetador que aguarda a vivacidade e a espontaneidade dos fatos relatados. A capacidade de informar os nossos semelhantes encontra-se, no entanto, cada vez mais reservada aos detentores dos meios de transmissão.

As sondagens televisivas são ou não, só por si, influenciadoras de voto sem que se saiba bem a credibilidade que merecem. A última campanha política em Portugal só existiu para a televisão. Os comícios não existiram, os debates foram inócuos e as agendas programadas para quando a televisão estivesse presente. Estaremos perante uma nova forma de campanha eleitoral?

A verdade é que a estratégia de Marcelo Rebelo de Sousa surtiu efeito e ganhou em todos os distritos do País. Os portugueses conhecem o seu percurso cívico e político. Uns gostam, outros não – mas conhecem-no…pela televisão.

Cumpriu-se o que Emídio Rangel afirmou em 1999 “com o poder que a televisão tem até um Presidente da República vende!” – (na época referia-se à liderança de share da SIC).

 

 

 

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

Pub