O pagamento electrónico da água e o Programa Viseu Rural

por Carlos Cunha | 2015.02.15 - 14:52

As freguesias rurais do Concelho de Viseu debatem-se, de algum tempo a esta parte, com o declínio acentuado da sua população, que teve na sua génese a emigração ou o êxodo para os centros urbanos de média e grande dimensão.

O envelhecimento da população apresenta uma forte correlação com aparecimento de doenças, gastos elevados em medicamentos, transportes para consultas ou tratamentos, associadas a baixas reformas, que levam muitas pessoas a viver no limiar da pobreza. Muitos destes idosos têm pouca instrução e uma dificuldade acrescida em se adaptar às transformações operadas num mundo moderno em que a tecnologia impõe cada vez mais a sua lei. Na verdade, as tecnologias revestem-se desta dupla faceta, podendo surgir como altamente facilitadoras, no caso das gerações mais jovens ou como barreiras acrescidas para os mais idosos, havendo entre estes últimos um extenso número que não as consegue utilizar autonomamente.

Vem esta reflexão a propósito do pagamento da água passar a ser efetuado, por iniciativa do atual Executivo Camarário, por Multibanco, nos terminais de Payshop ou nos CTT em detrimento do café ou da mercearia da aldeia. Caso estes espaços comerciais não disponham de um meio eletrónico para efetuar os pagamentos da água, surgem constrangimentos acrescidos, pelo que, dois meses após a medida ter sido implementada, deverá a mesma ser alvo de uma avaliação, no sentido de se aferir o que deve ser corrigido. A este propósito, no caso de algum consumidor não efetuar o pagamento dentro do prazo limite, porque não dar-lhe a oportunidade de o poder liquidar na fatura do mês seguinte, tal como acontece, por exemplo, com as operadoras de comunicações móveis, em vez de obrigar os consumidores a deslocarem-se às instalações das Águas de Viseu para aí regularizarem os pagamentos.

Mudando de assunto,  salientamos esta semana  a apresentação do Programa Viseu Rural. Ainda na semana anterior, afirmava que não bastava delegar competências nas Juntas de Freguesia, mas era necessário fazer algo de diferente sobretudo nas freguesias rurais sob pena de, mais cedo ou mais tarde, as vermos irremediavelmente condenadas à agregação ou extinção. Coincidência ou não, constatamos que a CMV agiu com celeridade e descruzou rapidamente os braços, escolhendo um rosto para liderar este projeto: o do vereador responsável pelo pelouro das freguesias João Paulo Gouveia, que apresentou um plano de boas intenções, sem grande aparato contrariando o que se vem tornando hábito da casa nos últimos tempos.

Sempre enalteci o trabalho que o atual Executivo Municipal tem efetuado no Mercado Municipal no sentido de o promover enquanto polo comercial e principal ponto de escoamento dos produtos dos lavradores locais, que são de excelente qualidade e com um custo mais acessível àquele que é praticado nas grandes superfícies locais.

Contudo, para além do reestyling facial efetuado, pode-se constatar que a obra ainda vai a meio, aguardando-se uma efetiva requalificação do espaço interior. Espera-se, portanto, que o atual Executivo proceda à candidatura do mesmo aos novos Quadros Comunitários de Apoio do Portugal 2020, de modo a que sejam efetuadas obras que permitam albergar com funcionalidade e comodidade todos aqueles que ali vendem e compram.

Apesar do tempo frio, espero que passem um Carnaval animado.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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