O naufrágio do PSD com Coelho ao leme

por Paulo Neto | 2016.12.19 - 13:53

 

 

 

Quando já Alberto João Jardim vem a terreiro dar umas caneladas a Passos Coelho, a coisa está decididamente feia.

Só o ainda presidente do PSD e alguns mais fiéis apaniguados recusam dar conta de que há uma guerra fria e subterrânea para a sua sucessão, por pura e simplesmente ter perdido o prazo de validade.

Coelho nunca aceitou o que o destino lhe trouxe. Talvez por isso, jamais teve a humildade de reconhecer os factos na sua abrangente realidade, optando antes por se vitimizar e andar de Anás para Caifás entoando a ode do coitadinho.

Ao fazê-lo, tentando esgadanhar rebusco aqui e além, mal deu conta de que, gradualmente lhe iam virando as costas e desdenhando da carpição.

Nestas andarilhanças de penitente pouco contrito desbaratou a derradeira réstia de credibilidade ou mais-valia que poderia ter.

No entreacto, de fauces arreganhadas, os reverentes de ontem, tecem a ardilosa teia de hoje.

Vários nomes são apontados para herdeiros da coroa laranja: Rui Rio, Aguiar Branco e, pasme-se… até o estriduloso Paulo Rangel.

A dignidade perde-se quando não se tem a sensatez de ver qual o momento de sair de cena. Os apóstolos do primeiro-ministro não são os apóstolos de Pedro Passos Coelho. Quando o poder se perde nem os “cães lhes mictam na perna”…

Alberto João Jardim é de tal forma contundente que chega a afirmar não ter votado PSD nas últimas eleições. Mas vai mais longe: “Coelho é um mau carácter”, acusando de hoje não haver “centro-direita em Portugal” por ele ter virado o PSD à direita…

Evidentemente que estas larachas de “comadres” valem peanuts. Porém, este modus faciendi vê-se frequentemente quando o barco começa a afundar.

E por falar em naufrágios… as sondagens feitas este mês pela Marktest sobre intenções de voto legislativo são demasiado óbvias para se carecer de mais fundamentação.

O PSD de Coelho já caiu para 27,4% número ao qual, mesmo juntando os “primos” do CDS com 6,7%, daria 34,1%, distante dos 40,1% do PS, que com os 15,8% do BE e da CDU dariam 55,9% de clara maioria absoluta.

Importante é relevar o elevado índice de abstenção: 35,7%, onde se englobarão os que há muito viraram costas à cidadania, os que descrêem dos políticos e os que já não acreditam em Passos Coelho, por acharem que o homem jaz “morto” (e arrefece).

(fotos DR)