O muro da vergonha

por Eme João | 2015.04.14 - 21:12

No passado dia 9 de Abril, realizou-se na Fundação Saramago, uma sessão informativa sobre o Sahara Ocidental.

Este território foi até 1975 a província 53 espanhola. Em 31 de Outubro desse ano, Espanha abandona o Sahara Ocidental, sem descolonizar. Foi de imediato ocupado por Marrocos apoiado pela França e pela Espanha.

Em 26 de Fevereiro de 1976, os últimos soldados espanhóis abandonam o Sahara Ocidental e nessa noite, quando as tropas marroquinas começavam a ocupar o  território, a Frente Polisário proclamou o estabelecimento da República Árabe Saharaui Democrática (RASD).

A 14 de abril, a Mauritânia e Marrocos assinaram um acordo em Rabat pelo país foram divididos: dois terços mais ao norte de Marrocos e um terço para a Mauritânia.

Em 1979 a Mauritânia renuncia às suas zonas territoriais no Saara e Marrocos reivindica como seus estes territórios

Sendo o território ocupado rico em fosfato, gás e pesca, pois é banhado pelo Atlântico, Marrocos mantém a ocupação, impedindo que se cumpra a Resolução 1871 do Conselho de Segurança da ONU. Constroi um muro de 2720 km que separa a zona mais árida da zona controlada militarmente por Rabat e onde se instalaram empresas pesqueiras e energéticas.

Este longo muro está repleto de minas em toda a sua extensão. Os saharauis desalojados pelo ocupante, vivem em campos de refugiados na Argélia.

Em 1985, RASD após a saída da Mauritânia, é oficialmente reconhecida por 61 países e a ONU exige uma negociação entre as partes, a realização de um referendo e a retirada de tropas marroquinas.

Três anos depois, A Frente Polisário e Marrocos aprovam um plano de paz elaborado pela ONU e OUA, para preparar a realização do referendo. Mas há divergências quanto ao recenseamento populacional.

No dia 29 de abril de 1991, o Conselho de Segurança das Nações Unidas através da resolução 690, estabelece a Missão para o referendo ( MINURSO, Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental), que tinha como objetivo preparar o referendo e supervisionar o cessar-fogo.

Aguarda-se o relatório de Christopher Ross, enviado especial Secretário-Geral da ONU MINURSO, sobre a situação no Sahara Ocidental, que deverá ser apresentado em Abril ao Conselho Segurança.

Enquanto se aguarda, há um povo prisioneiro dentro do seu próprio país. Há prisioneiros politicos a quem são negados todos os direitos humanos. Felizmente há também activistas que não desistem de lutar por este povo e por todos os povos oprimidos. Como por exemplo a activista portuguesa Isabel Lourenço, observadora dos direitos humanos, que foi considerada “persona non grata” pelo governo de Marrocos, e foi expulsa do território.

É urgente, que tal como um ansião sahauri pediu aos nossos activistas, sejamos todos cartas humanas e façamos chegar a todos o que se passa nestes campos de refugiados. Porque é noticia que não sobe audiências, a comunicação social tradicional nada nos diz. Então, passemos nós a palavra.

 

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

Pub