“O mundo torna-se melhor se cada um de nós puder ser excecional em qualquer coisa.”

por Amélia Santos | 2015.10.07 - 12:21

 

Acredito, cada vez mais, que cada pessoa nasce “fadada” para alguma coisa. Com um determinado dom ou uma aptidão especial ou, se quisermos, um jeito peculiar para algo. Seja ligado às artes, à música, à ciência, à agricultura, aos animais, ao ensino, à investigação, à eletricidade ou eletrónicas… Seja mais para as manualidades ou mais para o estudo livresco… Enfim, um sem número de áreas, umas mais técnicas outras mais criativas.

Acredito, da mesma maneira, que algumas não nascem, de todo, talhadas para o que fazem e, por isso, são infelizes e transmitem a sua infelicidade e má disposição a todos os que, desgraçadamente, precisam ou dependem deles… E isso nota-se tantas vezes, por exemplo em quem faz atendimento ao público e quase nos quer bater só por existirmos e estarmos ali a dar trabalho. Quem não teve já experiências destas? Uma vez ouvi um médico falar de uma sua colega, de quem os doentes se queixavam amiúde, dizendo que aquilo que ela mais detestava na vida eram os doentes! Mas também testemunhamos algumas vezes que há pessoas excecionais, prestáveis e simpáticas. Que nos tratam bem e nos enchem a alma, mesmo sem nos conhecerem de lado nenhum. Sem saber se a simpatia se dirige a ricos, remediados ou a pobres, tratando todos com igual amabilidade. Serão estes, certamente, os mais felizes ou os de bem consigo próprios. Serão seguramente! Os dois tipos coexistem e parece óbvio que os primeiros contribuem para uma espécie de infelicidade ou depressão coletiva, ao passo que os segundos são uma casta de psicoterapeutas disfarçados de outra coisa qualquer, que, sem se darem conta, ajudam a melhorar o dia e a aliviar as pressões de quem com eles se cruza.

Acredito também que vivemos numa sociedade que não tem tempo para valorizar e ajudar a desenvolver aquilo que cada um de nós tem de extraordinário…Não há tempo para olhar para o interior de cada um, observar e ouvir as vozes da alma. O ensino está de tal maneira formatado  que toda a comunidade escolar vive obcecada com os exames finais e com as notas que determinarão a entrada para o curso de medicina ou outros parecidos. Por outro lado, esta mesma sociedade cobra aos jovens uma entrada na faculdade. Não interessa bem onde, nem em quê… Mas tem que entrar, para responder às famigeradas perguntas que se seguem ao finalizar o 12º ano.

O que é certo é que o tempo da escolaridade obrigatória passa a correr e ninguém dá  tempo aos jovens. Ninguém tem tempo para os ouvir. Pais e professores empenham-se naturalmente no sucesso académico, que se traduz em boas notas. Muitas vezes, chega-se ao secundário e não se sabe que área escolher, porque, na verdade, não se sabe do que se gosta, do que os faz felizes. Desconhecem-se totalmente. Não sabem quem são para além do Bilhete de Identidade e do Número de Contribuinte. Não sabem o que querem. Alguns nunca vêm a descobrir nem a descobrir-se. Outros, já enredados num mundo que não os faz felizes, perdem a coragem de mudar de vida, de dizer “basta”, de enveredar pelo seu caminho, optando pela “felicidade a meio gás” ou mesmo pela infelicidade.

Felizes aqueles que têm coragem de seguir o seu caminho, de fazer o que gostam e lhes dá prazer. Felizes aqueles que conseguem mudar quando não estão bem. Felizes os que correm atrás do que gostam. A felicidade gera felicidade, multiplica a ventura e pode ser a chave do sucesso. Repita-se como um mantra que “quando uma pessoa é bafejada com um talento, tem o dever de não o esconder ou reprimir”.

Licenciatura em Estudos Portugueses pela FLUL (1996) Pós Graduação em Museologia pela FLUP (2008) Mestrado em Ensino do Espanhol pela UBI (2011)

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