O mundo em que nos pomos a viver

por Silvia Vermelho | 2014.02.06 - 23:32

O Professor Doutor Paulo de Morais, conhecido activista da nossa praça contra a corrupção, membro da Transparência e Integridade Associação Cívica, esteve em Mangualde no passado dia 01 de Fevereiro, na Papelaria Livraria Adrião – Mangualde. Passo a publicidade ao espaço, que a merece pela sua incrível dedicação à literacia e a cultura Mangualdense, e ao evento, no qual estive presente como organizadora, no âmbito de um projecto do qual não faço publicidade por aqui não a caber.

Posto este contexto, importa dizer que, sem surpresas, o tema que o orador nos trouxe foi “Corrupção: obstáculo ao desenvolvimento”. Em concordância com as intervenções que tem nos diversos sítios onde vai, Paulo de Morais falou dos casos BPN, Parcerias Público-privadas e da corrupção nas autarquias por causa dos negócios imobiliários, concluindo com a exposição de mapas que mostravam a correlação negativa entre corrupção e desenvolvimento (de um país).

As reacções à sessão foram francamente positivas, se bem que com uma sensação de impotência, que foi manifestada pelas pessoas que participaram no debate, uma sensação que eu também compreendo e sinto: muito falamos e reflectimos em conjunto mas, de facto, quando é que rebenta a bolha?

Porém, também houve reações que me fizeram lembrar porque a bolha não rebenta, foram reacções presas a um quadro legal que aparentemente protege tudo e todos de corrupção e crimes conexos. Foram reacções presas a uma realidade que toda a gente sabe que não existe, mas que certas pessoas têm dificuldade em dissociar-se dela, daquela realidade “institucional”, onde tudo é protocolo, e correcção, e legalismos e burocracias. Esse é um mundo em que nos pomos a viver, talvez porque nos ajude a encarar esta selva de um modo que não conduza ao desespero. Acho que é um mecanismo de coping, pensar que mundo não é assim tão mau. Só que esse mecanismo de coping custa-nos caro, sempre que permite a um considerável número de pessoas viver num planeta diferente dos seus concidadãos e concidadãs. Se todas e todos vivessem no mesmo planeta, a bolha já teria rebentado.

Termino dizendo que já ouvi Paulo de Morais em diversas ocasiões ao vivo, fora as vezes que escuto na Internet ou na TV. Na primeira de todas elas ao vivo, da qual guardei registo vídeo no telemóvel, tinha falado no painel anterior ao de Paulo de Morais, identificando, na minha intervenção, que era de Mangualde. Foi há um ano, em Coimbra, e no vídeo vê-se o Professor a apontar para mim, por causa da referência geográfica que aproveitou para associar à Mota-engil de Jorge Coelho. Ri-me, ao mesmo tempo que me encolhia na cadeira.

Silvia Vermelho é politóloga, empresária e activista. Nasceu em Mangualde, onde decidiu regressar em 2012, após 7 anos em Lisboa, para onde entretanto havia ido estudar. Dedica a sua atenção nos âmbitos profissional e associativo ao Poder Local, à Igualdade de Oportunidades e à Cidadania, Democracia Participativo, empoderamento e sociedade civil.

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