O Mundo do “talvez”

por Luís Ferreira | 2015.11.15 - 13:45

 

Viveu-se, ontem, um dos maiores ataques terroristas ao povo francês. A sociedade recebeu, da pior maneira possível, um horrendo alerta de estupidez. Ontem, todos nós enquanto Humanidade demos um (outro) gigante passo atrás.

Tudo começou quando, na noite desta sexta 13 de novembro de 2015, ocorreu um tiroteio num restaurante situado no centro de Paris, conjuntamente com diversas explosões próximas do Stade de France onde decorria um França-Alemanhã. O jogo, interrupto por tamanho estrondo, acabou com o evacuamento das bancadas ao som de La Marseillaise. E, do mesmo modo, dominada pelo medo e cansaço, a seleção alemã, acabou por pernoitar no estádio.

Posteriormente, numa violenta saga de terrorismo, ocorreram tiroteios junto do Louvre e no interior de centros comerciais. Todavia, foi na sala de concertos Bataclan que o maior ataque se sucedeu. Com cerca de mil e quinhentos reféns, o ataque apenas terminou com o assalto policial e consequente morte de três terroristas. Neste enquadramento, tornou-se viral a mensagem que um refém postou no Facebook, e que haveria de ser traduzida em diversas línguas: “Estou ainda no Bataclan. No primeiro andar. Ferimento grave! Que façam o assalto o mais rapidamente possível. Há sobreviventes no interior. Eles abatem toda a gente. Um a um. Depressa ao primeiro andar!!!!”. Benjamin Cazenoves acabou por sair vivo do “concerto”. A mesma sorte não tiveram os 127 inocentes (contabilizados até ao momento) que acabariam por morrer, vítimas destes ataques já reivindicados pelo Estado Islâmico e pelos seus sete correligionários de cintos explosivos e armas semiautomáticas que causa(ra)m o medo entre todo o mundo. Infelizmente, de todas as vítimas, sabe-se já que um deles teria nacionalidade portuguesa e que estaria perto do estádio.

Num ato de igualdade e de fraternidade, foram já vários os países que se demonstraram solidários com toda a população francesa. Enquanto a Torre Eiffel se ia apagando e demonstrando o luto francês, eram bastantes os edifícios no resto do mundo, que se iluminavam de azul, branco e vermelho. Do mesmo modo, as capas dos jornais e revistas francesas, quase unanimemente, pintaram as capas de preto.

O estado islâmico (saliento as minúsculas, e o meu minúsculo respeito por tais seres) admite, no entanto, que “a França continua a ser um alvo prioritário”. Na mesma mensagem, avisa que repetirá os massacres em Washington, Roma e Londres.

Esta é a nossa Humanidade, num Mundo do “talvez”. Aquela que talvez seja organizada…ou talvez não. Aquela que talvez seja exemplar…ou talvez não. Aquela por que tantos deram a vida… ou talvez não. Até talvez os ataques tenham sido meticulosamente planeados para uma sexta-feira 13 em que decorreriam diversos eventos simultâneos em Paris… ou talvez não! Contudo, certezas tenho apenas em afirmar que não é por estes motivos que Paris é tantas vezes cognominada de Cidade da Liberdade ou Cidade do Amor.

Hoje também eu estou de luto. Porque pertenço à tal sociedade organizada…ou talvez não! Isto porque: organizadas, todas são, respeitáveis, talvez não.

reuters

 

(foto: Agência Reuters)

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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