O meu amigo trambelo!

por Ana Albuquerque | 2015.06.24 - 00:36

 

Sei que está tudo pronto para mais uma noite de S. João. O pinheiro alto rodeado de braçadas de rosmaninho, as tascas improvisadas no recinto, os fogareiros à espera das sardinhas e dos pimentos, as mesas postas nos terraços, nas varandas altas e baixas, o palco, o som, as luzes experimentados.

Os bombos estão preparados para a folia. Os trambelhos, orgulhosos da sua tradição, levaram muitos dias a projetar e a armar o desfile, sempre grandioso, que amanhã percorrerá as ruas da cidade. Serão muitos os forasteiros que virão, mais uma vez. Os arredores serão parques de estacionamento de viaturas e mais viaturas. Os manjericos em vasos pequenos circularão. As mãos sentirão o cheiro, não vá o nariz estragá-los!

Tudo isto tem um sabor repetido e ao mesmo tempo único de festa, de S. João, de Cavalhadas, mas faltas-me tu! O meu amigo trambelo. O Luís que abria as portas a quem passava, que armava o pátio com os balões, que acendia o carvão escolhido a preceito, que partia a broa, que abria o garrafão, que estendia as sardinhas na brasa e que entoava, ao seu jeito, muitas vezes fado, muitas vezes toques de concertina. O S. João, lá em cima, no altar que lhe destinavas dentro de tua casa, bendizia a tua bondade, a tua alegria contagiante…

Este ano não vou a Vildemoinhos nem às Cavalhadas. Tenho medo de não te encontrar e faz-me falta o teu sorriso e a tua voz “Olá, menina!”.

Talvez para o ano…