O melhor Pai do mundo, mas não da pastelaria

por António Soares | 2014.03.19 - 14:23

 

A minha mãe diz que quando eu era mais novo, ainda contava por uma mão as primaveras da vida, afirmava com convicção: “Quando for grande quero ser como o meu pai e como o meu padrinho. Como o meu pai porque faz tudo, como o meu padrinho porque faz bolos.”

A verdade é que o meu pai sempre foi um “homem dos sete ofícios”, um “self made man”, e habituei-me a contar com ele para tudo.

O meu pai teve a resposta para todas as questões – “Pai, porque é que o céu é azul?”. O meu pai sempre foi o homem mais forte do mundo, até que o Zé Gordo da escola primária – “Olha que vou chamar o meu pai e ele dá cabo de ti”. O meu pai consegue reconstruir tudo, não interessa em quantos bocadinhos se possa partir – “Pai, o comando da TV caiu ao chão, sozinho, e partiu-se um bocadinho”. O meu pai é soberano – “Pai, posso ter um cão?”. O meu pai sabe sempre o que é melhor – “Pai, achas que devo?”.

Cada um de nós é o reflexo do melhor do seu pai.

Ao seu lado sabemos que estamos em segurança. Damos as primeiras braçadas no mar, sabemos que nada nos acontece numa viagem de carro, que nenhum monstro se atreverá a sair debaixo da cama e nem o escuro nos mete medo.

Durante algum tempo pensamos que o nosso pai nasceu assim. De todos os homens, um nasceu especial, nasceu mais forte, mais protector, mais bonito, mais inteligente, mais capaz, mais desenrascado e, sorte a nossa, foi o nosso pai.

Mais tarde percebemos que nenhum homem nasce pai. Um pai, faz-se. Faz-se de amor pela família, de sacrifício, de coragem, de carácter. Faz-se em cada noite mal dormida, em cada fralda trocada, em cada calo nas mãos, em cada dia de trabalho, em cada prato na mesa, em cada palavra e em cada exemplo.

Ao seu lado sabemos que estamos em segurança quando aprendemos a voar. Contamos com ele para nos aconselhar no primeiro emprego e no primeiro empréstimo. Para nos ajudar com a primeira avaria do nosso carro. (No meu caso, na segunda, na terceira, e nas seguintes porque estou para a mecânica como o meu pai para os bolos)

Do exemplo do que o nosso pai é para a nossa mãe, sabemos o que ser para nossa primeira namorada. E para a companheira que escolhemos para a vida. Do que é para nós, sabemos o que ser para os nossos filhos.

No final, seremos a soma daquilo que fizemos em vida, e a multiplicação do que inspirámos os outros a fazer.

O meu pai ainda não sabe confeccionar bolos. Às vezes acho que não quer aprender propositadamente, para que possa haver uma tarefa em que eu consiga ser melhor que ele.

 

Pai, um feliz dia para ti.
E um feliz dia para todos os homens que são pais.