O fim de um ciclo na liderança no CDS-PP

por Carlos Cunha | 2016.01.04 - 09:09

 

 

         Paulo Portas anunciou que não seria candidato à liderança do CDS-PP no próximo Congresso Nacional, cuja realização será marcada na reunião do Conselho Nacional, agendada para o próximo dia 7 de janeiro.

Esta decisão pode ter apanhado desprevenidos uns quantos. Outros há muito que sonhavam, mais ou menos em surdina, com este momento, mas a maioria dos militantes desejaria certamente a sua continuidade, atendendo ao seu percurso político e idade ainda jovem,53 anos completados em 12 de setembro último. Longe, portanto, do expirar da sua validade política.

Portas foi um dos atores principais da política nacional dos últimos vinte anos, se contabilizarmos o tempo em que dirigiu a redação do extinto Independente, onde “malhava” com fartura nos políticos de então, até se tornar num deles e assumir durante dezasseis anos a liderança política do CDS-PP, conquistada em 1998 a Manuel Monteiro no XVI Congresso de Braga.

A primeira parte da odisseia durou até 2005, altura em que se demitiu, em virtude dos resultados eleitorais obtidos nas legislativas de então terem ficado aquém das metas traçadas. Interregno que viria a durar apenas dois anos. Voltaria em 2007, tendo reconquistado a liderança no XXII Congresso realizado em Torres Novas, onde se manteve até aos dias de hoje.

Considerado como um maestro sem orquestra ou o one man show da política nacional, o certo é que Paulo Portas apresentou resultados políticos difíceis de igualar, conseguindo levar o CDS-PP por duas vezes ao exercício da governação, tornando-se numa figura quase sem oposição interna no CDS-PP.

No entanto, o desgaste de quatro intensos anos de governação, num período de “vacas magras”, em que a soberania económica e a credibilidade de Portugal se encontravam hipotecadas, acabariam por deixar marcas e cicatrizes difíceis de apagar da memória coletiva.

Num exercício rápido de memória, associamos Portas aos submarinos, à decisão irrevogável da sua demissão, às feiras, mas também a um trabalhador incansável que organizou um partido, lhe indicou um rumo, lhe definiu uma estratégia e uma direção, conduzindo-o a resultados eleitorais expressivos que cimentaram e legitimaram a sua liderança interna.

O CDS-PP perde o seu maior expoente político da atualidade, num golpe de antecipação, Portas preferiu sair pelo seu próprio pé, ao antever um cenário de oposição mais prolongado do que inicialmente se previra e ao tomar consciência do desgaste da sua imagem e dos custos políticos que daí poderiam advir para o futuro do partido.

Pelo que fez pelo CDS-PP, Portas merecia sair assim pelo seu próprio pé, deixando um grupo parlamentar constituído por 18 deputados, bem mais do que quando chegou, e um naipe de candidatos, que asseguram a sua sucessão. Estamos assim no tempo de vésperas de um novo ciclo político, no qual o CDS-PP terá de reconquistar o seu espaço à direita e ao centro, fundamental para que a Direita volte a governar em maioria.

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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