O estranho caso da gestão da CGD

por Luís Ferreira | 2016.11.08 - 13:58

 

 

As polémicas dos outros nunca me soam mal. Antes deles, que minhas! Não estar envolvido em escândalos é meio caminho andado para não ser falado. (Talvez seja até mais que meio caminho.) Mas pelo contrário, quando o assunto também nos diz respeito já há mais que motivos para sermos julgados à mercê da justiça popular, tantas vezes a mais acertada, através de murmúrios de boca em boca alheia.

O estranho caso de uns tais gestores públicos que, por acordo, não querem entregar as respetivas declarações de rendimentos, é ridículo por si só. Contudo, não menos irrisório é este jogo de se apontar o dedo ao culpado. E com tantos dedos no meio disto, algo tinha que dar asneira. Isto porque as polémicas dos outros nunca me soam mal. Antes deles, que minhas! E, assim sendo, vem o Costa, matreiro e fingido, e aponta o dedo a Centeno. Centeno, aprumado discípulo, aponta o dedo ao céu e diz que a culpa é das estrelas. E por fim vêm os gestores, dizem que a culpa não é minha nem é tua, não é de quem a apanhar, e apontam sorrateiramente para Costa, este amigo de ocasião que por mera cortesia lhes (quase) concedeu o estatuto de “mais que nós”. Cortesia esta que, ao fim e ao cabo, é cortesia do povo que trabalha para lhes meter o pão na boca… Ou a broa. Ou o camarão e o caviar, não importa. Com um modesto salário de 423 mil anuais, compreende-se que o pão não lhes seja sustento.

Contudo, a esta comissão gestora pública não se preveem tempos fáceis, é verdade. Mas, pior será se, tal como ameaçam, derem à sola dali para fora e forem pregar para outro lado. Sairia bem caro aos cofres do Estado. (Entenda-se, aos bolsos do Zé Povinho). No entanto, embora Costa não se demonstre preocupado com tais declarações, o Pai Marcelo já lhe veio dar a palmadinha no rabo ao anunciar a boa-nova de que a apresentação das declarações de rendimentos está prevista numa lei de 1983. Dado isto, o caso mudou de figura e já todos (quer direita, quer esquerda, ou até mesmo os indecisos) vieram defender que “sim, sim, isto deve ser cumprido!”. Isto porque as polémicas dos outros nunca me soam mal. Antes deles, que minhas… e ninguém quer levar tau-tau do Marcelito. Ah caramba, a mão erguida de um pai faz estremecer qualquer menino!

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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