O dia D

por Luís Ferreira | 2016.04.27 - 08:13

 

Ontem, Portugal voltou a comemorar o Dia da Liberdade. E como é tradição neste país histórico, aproveitando o feriado, tudo pára. “Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”, feriado é feriado. E nesse contexto, aproveita-se a ocasião para relembrar o hino e levar bondosamente a mão ao peito, ao som d’A Portuguesa.

O Dia da Liberdade é, e sempre será, um dia de alegria. Relembramos os bonitos sons de Zeca Afonso e Paulo de Carvalho, e este é o dia ideal para a concretização de todas as utopias portuguesas. Tudo está bem! Não temos crise, não temos instabilidade, não temos inimigos. Aquela vizinha do 4º esquerdo torna-se compreensiva, e até a carris se torna acolhedora. E, ao ver a bandeira ser hasteada corretamente, a emoção domina qualquer cidadão… Que dia maravilhoso! Ver a esquerda no poder e a aplaudir unanimemente de pé, comove qualquer um. E, diga-se de passagem, que quando não temos que ouvir o bloco de esquerda com aquelas ideias de meninos do infantário, percebemos que temos o dia ganho. O 25 de abril é também isso mesmo…paz de espírito! No entanto, admito que rever aquele sorriso maroto da Catarina Martins me fez mesmo acreditar que estavam a festejar o quinto mês do bebê governo de esquerda, que começa agora a saber dizer “papá” sem se engasgar. E nessa minha miragem, a apagar as velas do bolo, o Arménio Carlos da CGTP, que com o nascimento do bebé resolveu todos os seus problemas e amansou como um cordeirinho! Mas pelo menos a malta anda animada!

Porém, mesmo com todas estas bem-aventuranças do Dia da Liberdade, nem tudo é um mar de rosas. E aí, não pude deixar de reparar que este dia de emoção não é bem encarado pelo PEV. Pelas feições dos seus deputados, parece-me que não acham grande piada ao mar de cravos sacrificados para tal festividade. Mas não podemos agradar a todos…

Por fim, oportunamente alguém me poderia questionar acerca do depois do feriado, do “depois do adeus”. E eu facilmente explicaria. Depois desse Dia D, desse Dia de emoção e festa, vem a realidade e a normalidade. Por agora, tomem lá a notícia de 823,9 milhões em défice no primeiro trimestre. É que hoje já não é feriado…

 

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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