O despertar dos jornais viseenses?

por PN | 2019.11.06 - 16:10

A função do quarto poder é, sem dúvida, a de controlar e criticar os outros três poderes tradicionais (juntamente com o poder económico e o poder representado por partidos e sindicatos), mas apenas pode fazê-lo, num país livre, porque a sua crítica não tem funções repressivas: os meios de comunicação de massa, só podem influenciar a vida política do país criando opinião.”

Eco, Umberto – Cinco Escritos Morais, Relógio D’Água, 2016

Legislativo, Executivo e Judiciário são os 3 outros poderes, o 4º poder sendo então o dos mass-media.

No panorama regional viseense e em termos de press paper mais não vemos que apaziguados pela publicidade institucional e/ou, enviesadamente, de algumas empresas que na área da institucional gravitam mesureiras.

É a vida. Há que sobreviver ou até ter lucro, pois a Santa Casa da Misericórdia (a de outrora) é que fazia o bem sem olhar a quem. Hoje vende lotarias e raspadinhas para gerar fundos para prevenir a pobreza, a indigência, a exclusão, a marginalização, etc. Esqueci alguma?

Por isso, se a mão esquerda anda esticada ao óbolo, a direita, por mais que se enclavinhe na caneta (agora tecla), não adrega – salvo as honrosas excepções que confirmam a regra – a exercer o seu papel de 4º poder.

Até há fabianos que se tornaram empresários dos media para se darem visibilidade, praticarem auto-promoção, ou dar nas vistas, o que por outras vias não alcançariam. A estes a seu tempo voltaremos, enquanto tácticos estrategas da profícua e proveitosa manipulação.

Hoje e cada vez mais, Viseu borbulha de efervescentes notícias. Provavelmente por mérito do incansável Sobrado, o técnico de comunicação que se tonou vereador e braço direito do chefe, para a tarefa árdua de desenvolver uma cidade que antes dele não existia, estando agora nas bocas do mundo… por motivos vários que não interessa neste momento aflorar.

E porém, um manto de silêncio cobre tudo que não seja, claro, o “fait-divers” da circunstância. Por isso, quase nos caiu o queixo quando vimos uma capa de um quotidiano a fazer uma referência não elogiosa ou crítica à Câmara de Viseu.

Nunca é tarde para trilhar o bom caminho. Foi engano ou será para continuar? Não nos criem esperanças num maravilhoso mundo novo, que nós podemos acreditar…

Paulo Neto