O desnorte de Passos Coelho…

por Manuel Ferreira | 2016.05.07 - 15:53

 

Passos Coelho, ao comentar o Plano de Estabilidade e o Plano de Reformas apresentado pelo Governo, caracterizou-os como documentos vazios e fantasiosos. E não contente com a adjetivação, referiu-se ao Governo como estando a ser demagógico e populista.

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista quando, no campo da Educação, a qualificação de adultos vai voltar a ser uma prioridade, se generaliza o pré-escolar a partir dos 3 anos, se defende a gratuitidade progressiva dos manuais, se limita o número de alunos por turma, se generaliza a Escola a Tempo Inteiro e se reforça a Ação Social?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista na Saúde, quando se pretende alargar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, se cria uma valência dedicada à saúde mental, se alarga a outras especialidades (a nível oral e visual) os Cuidados de Saúde Primários, se reduzem e eliminam as taxas moderadoras em urgências referenciadas pelo INEM e se dotam todos os cidadãos de médicos de família?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista na Justiça, quando há reforço dos meios tecnológicos e humanos da PJ, se reorganizam os tribunais, se reforçam, com magistrados especializados, os Tribunais Administrativos e Fiscais e se introduzem medidas na Saúde que ajudarão a combater a corrupção?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista na Mobilidade e Ambiente, quando o mapa das ferrovias em Portugal crescerá nos próximos quatro anos?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista na Reabilitação Urbana, quando são apresentadas medidas que incluem reabilitação para regime de renda condicionada, a eficiência energética e sísmica e a recuperação de espaços públicos?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista na Segurança Social, quando se verifica o aumento do salário mínimo e a redução da taxa contributiva para 990 mil pessoas e se dão mais de 60 milhões à Segurança Social?

O que existe de vazio, de fantasioso, demagógico e populista no Emprego, quando 70% dos desempregados de longa duração serão abrangidos por políticas ativas de emprego, se concedem incentivos a empresas que contratem jovens à procura do primeiro trabalho ou jovens desempregados, se apoiam reformas a tempo parcial e se vai agravar as contribuições das empresas que revelem elevada rotatividade laboral?

A avaliação de Passos é reveladora de desnorte, uma opinião melindrada, porque o atual Governo tem apresentado outro rumo e um outro caminho alternativo ao sofrimento e ao empobrecimento.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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