O Centro Oncológico para Viseu é uma prioridade

por Cristina Fonseca | 2014.03.03 - 13:30

Há anos que vivemos um impasse no que diz respeito à criação de um Centro Oncológico para Viseu.

As doenças oncológicas constituem um dos principais problemas de saúde das sociedades contemporâneas, a assumir um lugar relevante nas listas das causas de mortalidade, sendo a sua prevenção, diagnóstico e tratamento considerados prioritários. Evidentemente, que a área de influência do nosso distrito de Viseu não foge à regra nesta área. O Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) a abranger, aproximadamente, meio milhão de pessoas, tem assinalado como mais frequentes, o cancro do cólon e do reto, o cancro da mama, o cancro da próstata, o cancro do pulmão, o cancro do estômago, entre outros.

O setor da radioterapia assume, pois, um papel de absoluta relevância não só pelas patologias que envolve, mas sobretudo pelo desgaste físico e psicológico que se impõe no decurso de todo o processo de tratamento dos doentes, incluindo as pessoas e os cuidadores que lhes estão mais próximos.

Será certamente do conhecimento dos portugueses, a aposta que o anterior governo PS fez neste domínio com o aumento exponencial do desenvolvimento dos instrumentos de diagnóstico e das armas terapêuticas no campo da Oncologia que possibilitaram a obtenção de resultados clínicos muito significativos, traduzidos em melhoria da sobrevivência e da qualidade de vida de muitos doentes.

Sejamos claros, se é verdade que a instalação de um equipamento de Radioterapia já tinha sido colocada em cima da mesa, concretamente em dois mil e quatro, pelo então Ministro da Saúde, situação que gerou um alargado consenso. Assumamos, igualmente, como verdade relevante o facto de, em Abril de 2011, a ministra da saúde de então, no governo PS, Ana Jorge, ter deixado um dossiê concluído com o estudo e o respetivo projeto, em colaboração com o Conselho de Administração à época, para a Construção do Centro Oncológico nos terrenos do então Hospital S. Teotónio de Viseu. A coincidência com o período eleitoral impediu o lançamento e a execução do projeto.

Mas, ainda, subsistirão dúvidas em torno da emergência da instalação de um Centro Oncológico em Viseu?

Implementar uma unidade que apoiasse todas e todos os doentes oncológicos das regiões dos distritos de Viseu e da Guarda, permitiria minimizar o desgaste físico e de dor com uma resposta de maior proximidade, com a redução ou extinção das penosas deslocações para os IPO’s e ou Serviços Oncológicos do Porto, de Coimbra e, nalguns casos, de Lisboa. Trata-se da defesa do princípio de que a oferta de cuidados deve adequar-se, tanto quanto possível, assegurando um grau de acesso equitativo para todas as populações.

O estudo solicitado pelo atual Ministério da Saúde, dirigido à ERS (Entidade Reguladora da Saúde), não só realçou a necessidade de se analisar a atual prestação de cuidados de saúde de Radioterapia, como veio confirmar a desvantagem no acesso vivida, permanentemente, por um número significativo de doentes oncológicos, e seus familiares acompanhantes, residentes nos distritos de Viseu e Guarda, dadas as necessárias e continuadas deslocações, das áreas em causa, a Coimbra ou ao Porto.

É bom que se clarifique o sentido da palavra “desvantagem”, devendo, esta, ser entendida como o exercício do direito do acesso do utente, especialmente, verificando-se se o tempo útil aos cuidados necessários à recuperação da condição física e emocional do doente, ocorre, ou não, dentro de um padrão de tempo entendido como normal, ‘Tempos Máximos de Resposta Garantidos’.

Ora, o estudo tornou evidente que os IPO’s assumem referenciar utentes para os serviços de RRH (rede de referenciação hospitalar) de Oncologia, geralmente a pedido dos utentes – por ser a área próxima da residência ou de apoio familiar. Tornou, ainda, evidente que, na região Centro, 44% da população reside em localidades situadas a mais de 60 minutos de um estabelecimento prestador de cuidados de radioterapia e isso diz bem da dimensão do problema; que 56% da população está a 60 minutos do estabelecimento de radioterapia; e 38% está a 45 minutos. Por último, o estudo tornou evidente que, com a instalação de um serviço de Radioterapia no Centro Hospitalar Tondela Viseu, esta percentagem de cobertura na Região Centro aumentaria para 77% a de 60 minutos e para 60% a de 45 minutos.

Apesar das evidências que emergem do estudo, isento, de qualidade técnica reconhecida, é conhecida a posição contrária ou, tão grave como isso, omissa do governo do PSD e do CDS, face às sucessivas inquirições colocadas pelo deputados do PS que representam o nosso distrito, como se a gravidade que rodeia o direito do acesso do utente oncológico aos serviços de que necessita, não fosse, por si só, uma corrida contra o tempo, um esforço em contramão, em que este impasse e resposta tardia, significam, no mínimo falta de respeito pelo doente.

Na verdade, as vitórias mais importantes não são as que se apuram nas noites eleitorais, mas as que se alcançam quando se concretizam os projetos que são verdadeiramente essenciais porque vão encontro e respondem às necessidades das populações. Mais do que manifestar a nossa total solidariedade com os doentes oncológicos do nosso concelho e regiões envolventes com elos de ligação ao CHTV; urge, sim, o desenvolvimento de uma ação política, conjunta, capaz eliminar os bloqueios e reforçar a conquista de um equipamento de emergência para as populações.

Ampliar a voz dos viseenses, repor a dignidade e fazer uma audiência à história recente neste processo sobre uma questão que certamente, todas e todos os representantes partidários, cidadãs e cidadãos, assumem-se como linhas de ação prioritárias.

O Partido Socialista, em Viseu, apela para que em torno desta matéria se firmem consensos capazes de ganhar eco junto do atual governo para que, enquanto órgão de decisão, não restem quaisquer dúvidas de que O CENTRO ONCOLÓGICO PARA VISEU É UMA PRIORIDADE! Já está demasiado gasta a estratégia de recurso a planos de intenções por tempo indeterminado; se é reconhecida como prioridade, passe-se à sua execução! E é uma prioridade não para o PS, mas é uma prioridade para a dignidade dos doentes do foro oncológico.

Deputada do Partido Socialista (PS) na Assembleia Municipal de Viseu

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