Novas políticas para 2015

por Acácio Pinto | 2015.01.14 - 13:31

 

A política só o é, na sua dimensão mais nobre e genuína, se contribuir para reduzir, de facto, as desigualdades entre as pessoas e se tiver um olhar bem focado naqueles que estão confrontados com a pobreza.

E se há períodos em que estes princípios mais deveriam pesar nas opções políticas seriam os períodos de crise.

Em Portugal, ao invés, temos vindo e estamos a assistir a uma situação diametralmente oposta a esta. Em 2014 os índices de pobreza e de pobreza severa, bem como as desigualdades têm-se vindo a agravar.

E isto não é uma mistificação, por mais que Passos Coelho e Paulo Portas falem de um país que não existe, pois os portugueses e todos os pareceres, das mais insuspeitas instituições, são inequívocos, sistematicamente, na tradução do agravamento das desigualdades, do desemprego e do alargamento do fosso entre os mais pobres e os mais ricos.

Segundo os dados mais recentes do INE, no desemprego regista-se uma subida para uma taxa de 13,9%, registando Portugal a maior subida da UE relativamente ao mês anterior. Mas se nos focarmos no desemprego jovem as coisas só pioram. Subiu intensamente, para os 34,5%, também sendo a maior subida da UE, a nível do desemprego juvenil.

Na pobreza, no seu relatório publicado no último trimestre de 2014, a OCDE também não deixa dúvidas ao afirmar de forma clara que “a pobreza e o número de famílias pobres estão a aumentar, com as crianças e os jovens a serem particularmente afetados”. É evidente que isto também tem vindo a ser dito por várias instituições e entidades portuguesas, desde as autarquias, à Cáritas e às demais IPSS.

No outro extremo está a aumentar o número de portugueses “milionários” (com mais de um milhão de dólares) e está a aumentar a riqueza consolidada dos portugueses mais ricos.

Ou seja, está a acontecer aquilo que, na nossa perspetiva, a política devia combater.

E se assim é, impõe-se que este rumo dos acontecimentos seja invertido. Que esta interpelante situação seja combatida.

É por isso que o PS e António Costa têm sobre os seus ombros uma grande responsabilidade. A de inverter estes dados e a de serem depositários da esperança dos portugueses. Esperança em novas políticas, esperança num novo conceito de desenvolvimento económico, esperança num futuro melhor para Portugal.

E não há responsabilidade mais pesada, se é que podemos quantificá-la, do que a de corresponder às expectativas, à esperança dos nossos concidadãos. Tenho a certeza de que António Costa, com o seu conhecimento, a sua competência, a sua experiência e a sua serenidade, saberá apresentar as medidas concretas capazes de fazer reverter, a partir deste ano de 2015, gradualmente, a situação social e económica para que fomos arrastados por este Governo do PSD e do CDS.

Deputado do Partido Socialista (PS) na XII Legislatura eleito pelo Círculo Eleitoral de Viseu

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