Nós, a elite!

por Paulo Rodrigues | 2016.05.31 - 11:32

Temos assistido a um corrupio de opiniões sobre as alterações na organização do atual sistema de segurança interna.

Ou se fazem estudos económicos, sem chegar a conclusões objetivas, à fusão de todas as polícias ou se comenta a desmilitarização da GNR para a juntarem com a PSP, ou se discute a junção das polícias ditas de estatuto civil (PJ, SEF e PSP) ou ainda, de forma mais reservada, o desmembramento da PSP, com a retirada de competências mais “musculadas” e de ordem operacional mais complexa para as centrar na GNR.

Já ouvimos de tudo sobre este assunto, como se estivéssemos a correr para resolver o problema central ou o mais importante do país. Imaginem se não estivéssemos considerados internacionalmente como um dos países que revela maior eficácia com as suas polícias ou não fossemos, por isso, um dos países mais seguros da Europa! Por esta ordem de ideias, se o sistema não funcionasse, provavelmente, nem sequer o abordávamos.

Será que não é mais benéfico, primeiro, discutir até à exaustão, os assuntos críticos do foro interno de cada instituição policial e que condicionam quantas vezes a melhoria do funcionamento e a própria motivação dos profissionais?

Será que discutir a estrutura, as capacidades, as fragilidades ou mesmo o tipo de missão dentro de cada instituição não nos poderá levar a abrir os horizontes para definir um caminho que garanta mais qualidade na segurança prestada, uma gestão mais racional e um efectivo mais motivado? E isso pode não passar por fazer fusões ou esvaziar competências desta ou daquela polícia.

Será que passar o tempo a discutir só o problema macro e não analisar o micro, nos levará efectivamente a garantir um sistema de segurança interna que satisfaça os cidadãos e onde os polícias se sintam motivados e reconhecidos pelo seu trabalho?

Temos uma apetência enorme para pôr em causa o que funciona e deixar para depois o que de facto merece ser resolvido.

Mas o que menos se compreende, é a forma como, recorrentemente, este tema é discutido por parte dos profissionais de algumas polícias.

Não querendo generalizar, poucos são aqueles que tomam posições públicas, que não tendam a deixar claro que a “minha casa é melhor que a tua”.

Uns dizem ser mais capazes, outros dizem ser mais especialistas, outros ainda que são os mais sérios no seu trabalho.

Em todas as instituições existem bons e menos bons profissionais. Hoje, qualquer profissional de qualquer polícia, pela exigência no recrutamento e pelo nível de formação, que ultrapassa por norma até o que é imposto como requisito mínimo, tem condições de desempenhar qualquer que seja o papel de uma força ou serviço de segurança, basta dar-lhe formação específica e meios. E isso é um dado incontornável.

O que de facto está a faltar na maioria das polícias, é a existência de um conjunto de fatores que garantam uma carreira profissional estável, com deveres mas paralelamente com direitos, justiça no tratamento dos recursos humanos e que lhes sejam criadas compensações justas e de acordo com o nível de exigência, desgaste, risco e responsabilidades. Fatores que são motores motivacionais para a estabilidade e qualidade do serviço policial. Se estes fatores não forem criados, bem podemos dar as voltas que quisermos ao modelo de segurança interna, que tudo ficará na mesma.

Resta-nos, para já, que cada profissional cumpra a sua missão para um único fim que é o da segurança dos cidadãos, garantindo-lhes a liberdade e os direitos de acordo com a Lei. Essa é a melhor forma de provar a nossa excelência. Porque contra factos não há argumentos. E um profissional de polícia será sempre um polícia esteja em que instituição policial estiver.

 

Presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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