No pódio da corrupção

por José Carreira | 2014.03.17 - 18:45

“A corrupção é entre nós uma arma de arremesso político e uma chacota.”

(Eduardo Oliveira e Silva, i, 6/02/2014)

Começo por sugerir a leitura de mais um livro da coleção “Ensaios da Fundação”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, da autoria de Luís de Sousa: CORRUPÇÃO.

Numa entrevista ao Jornal de Negócio de 7/02/2014, Nuno Artur Silva (NAS), apresentador do “Eixo do Mal”, Fundador das Produções Fictícias e Diretor do Canal Q, descreve-nos o principal agente da corrupção. o “FACILITADOR”: “O facilitador é o personagem central na vida portuguesa (…) O facilitador é o ´middle man´, o homem que apresenta este àquele. O que não cobra mas cobra. São os tipos que passam pelo Governo, vêm dos partidos, facilitam os negócios. E depois vão beneficiar deles mais à frente quando saírem do Governo. Há os pequenos e os grandes facilitadores. É tudo uma questão de nível a que se está na escala alimentar. ”

Quando o tema é corrupção, imediatamente me recordo do “Saco Azul de Felgueiras”; da “Operação Furacão”; do “Caso Freeport”; de “Isaltino Morais”; de “Valentim Loureiro”; e de tantos outros…

A lógica que prevalece é a de dificultar para (uns euros) depois facilitar… Como nos diz NAS, há os pequenos e os grandes facilitadores, a corrupção começa nos pequenos favorecimentos, a “cunha” (talvez possa ser proposta para património imaterial nacional) até aos negócios de milhões…

A corrupção ramifica e corrói os alicerces da democracia, como se de um polvo se tratasse, estende os seus tentáculos a tudo o que “mexe”. Segundo o inquérito, realizado pelo Eurobarómetro, da Comissão Europeia, mais de metade (57%) das empresas nacionais considera a corrupção um “problema muito comum” nos negócios em Portugal. Se somarmos as 33% que consideram esta prática “relativamente comum”, concluímos que 90% das empresas (sectores incluídos na amostra: saúde, eletrónica, automóveis, construção civil, telecomunicações, sector financeiro e banca) reconhecem a promiscuidade vigente, especialmente no que concerne às relações entre o mundo dos negócios e os políticos, destacando-se o suborno e o abuso de poder. Não será de estanhar que estejamos, com grande destaque, em terceiro lugar entre os 27 Estados membros da União Europeia nesta matéria, apenas ultrapassados pela vizinha Espanha e por Itália. Talvez assim percebamos porque “Há uma série de permanentes nos conselhos de administração. São os tipos que não levantam problemas-e são postos lá porque não levantam problemas. São facilitadores em versão aina mais etérea: não precisam de fazer nada.” (NAS).

Concluo com uma frase / comentário da autora da entrevista a NAS: “É incrível como o não fazer nada se transformou num poder.”