Não há liderança sem justiça!

por José Chaves | 2017.02.28 - 18:25

 

A administração na relação com os seus administrados deve pautar a sua atuação por critérios de Justiça. Deve a administração, perante qualquer conflito, nunca ceder perante o que é justo. Não há liderança sem justiça e é com este claro problema que nos confrontamos quase diariamente quando a ASPP/PSP enquanto sindicato, recebe queixas dos seus associados e não só.

Hoje, no seio da instituição policial, existe a convicção que em caso de um conflito de ordem laboral ou outro, mas que esteja em causa decidir entre o administrado e a administração – aqui sobretudo os comandantes -, que enquanto o problema andar dentro da PSP, este nunca se irá resolver, isso só acontecerá quando se recorre para outras instâncias, designadamente Tribunais ou Provedor de Justiça. Existe, pois, a convicção dentro da PSP, que independentemente das razões que assistem ao funcionário, a administração, com o velho chavão de não colocar em causa a “cadeia de comando”, decide sempre a favor da administração, mesmo que seja absolutamente claro que o funcionário é que tem razão.

Ora, com isto, para além de se estar a violar princípios fundamentais do procedimento administrativo, designadamente o da legalidade, da boa-fé e da imparcialidade, está a criar um sentimento geral de injustiça da forma como se está a ser tratado. Este tipo de atuação, que pelos vistos é transversal a toda a administração pública, mas que se nota mais numa instituição como a PSP, por força da sua actividade, já de si potenciadora de enormes conflitos, mas também e sobretudo por ser uma instituição fortemente hierarquizada, em que a liderança é, na maioria das situações, mais importante que o conhecimento das matérias, torna-se absolutamente decisivo confiar, acreditar e ver o superior hierárquico como alguém que os protege, sob pena de, aí sim, não haver liderança que resista e ninguém se rever nela.

Se as decisões forem sempre penalizadoras para o funcionário, se o funcionário ficar com a convicção, como aliás está a começar a ter, que os seus líderes, mesmo tendo razão o penalizam, ao invés de o protegerem, deixa de haver a confiança que se quer numa instituição como a PSP. E se no curto prazo, este tipo de atuação tem resultados, pois os funcionários deixam de litigar e resignam-se, num médio e longo prazo, isto passa a ter resultados catastróficos, uma vez que, aquilo que se quis proteger – a tal cadeia de comando – vai cair por terra, por os administrados já não confiarem em quem os comanda, em que os administrados já não se revêm nos seus lideres e muitas vezes, quando seria a tutela a lidar com a revolta dos funcionários, passa essa revolta a ser dirigida para a administração.

Hoje, assistimos a mais polícias revoltados contra a Direção nacional da PSP que contra o Ministério da Administração Interna, coisa impensável há uns anos atrás.

É por isso que é urgente que se reveja toda a política de resposta às solicitações dos administrados e que estas sejam vistas, não como mero expediente que importa não dar provimento, mas sim como situações que consubstanciam um problema de injustiça que os administrados desejam e têm o direito de verem resolvido.

Não há liderança sem justiça!

 

(foto DR)

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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