Moradores do Centro Histórico -1 ; Câmara Municipal de Viseu – 0

por Carlos Cunha | 2015.05.19 - 11:00

 

 

1. Escrevi há algum tempo atrás que a relação entre os moradores do Centro Histórico (CH) e o atual Executivo viseense já conheceu dias de maior bonança.

É certo que conciliar interesses até se conseguir alcançar uma plataforma de entendimento e de equilíbrio nem sempre é fácil e leva o seu tempo, gerando impaciência, sobretudo porque estamos perante interesses antagónicos em contenda.

Porém, com o decorrer das negociações almeja-se alcançar o tão ansiado entendimento, o que acontece se ambas as partes efetuarem cedências e tiverem o bom senso e a razoabilidade necessárias.

A Autarquia, após parecer de uma Comissão de Acompanhamento, mais uma dirão, que designou para acompanhar o assunto, entendeu avançar com um novo horário de funcionamento dos bares, que se encontra ainda em fase de discussão e que será, mais tarde, objeto de votação na Assembleia Municipal.

Este regulamento procura harmonizar o direito ao descanso de quem ali reside com o direito à diversão. Através do mesmo procura-se ainda conciliar os interesses económicos de quem ali tem estabelecimentos de comércio tradicional de matriz diurna com bares cujo pico de funcionamento ocorre essencialmente durante o período noturno.

Os moradores e quem ali tem negócios de hotelaria queixam-se do ruído que ocorre aos fins-de-semana e que provém, não só dos bares, alguns com sistema de insonorização pouco eficiente, mas também do barulho resultante de círculos de pessoas que ficam pelas ruas ou praças na conversa pela noite dentro, esquecendo-se que quem ali mora ou está hospedado tem direito ao descanso.

Os moradores queixam-se ainda de comportamentos pouco cívicos que se refletem em lixo espalhado, garrafas e copos de plástico deixados pelo chão desleixadamente, recantos e entradas de prédios impregnados de odor a urina.

A Câmara tem revelado falhas em alguns aspetos da gestão de todo este processo, emergindo agora a questão do ruído que mereceu reparo severo da CCDRC. A regulação do estacionamento na Praça D. Duarte não está a ser pacífica, os anunciados corredores verdes e os transportes amigos do ambiente continuam no plano das conjeturas, a residência para estudantes, prometida em campanha, parece cada vez mais uma carta fora do baralho. No Mercado 2 de Maio o entendimento entre o autor do projeto, o reconhecido arquiteto Siza Vieira, e a Autarquia é cada vez mais uma miragem e a incubadora continua sem incubar um único projeto digno de registo.

Salva-se, até à data, o impulso dado na reconstrução e reabilitação de uns quantos prédios no CH, os apoios à pintura de fachadas e a regulação do horário das cargas e descargas.

Quanto ao resto, os problemas amontoam-se, mas enquanto a banda tocar o cortejo prossegue.

 

2. Não sou benfiquista,  mas sou suficientemente desportista para felicitar o Benfica e os seus adeptos pela conquista do bi campeonato,  fazendo votos para que o meu Sporting traga para Alvalade a tão desejada Taça de Portugal. Pena é que alguns adeptos não se saibam comportar de acordo com a grandeza dos clubes que apoiam.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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