Mito castrador

por José Carreira | 2014.07.06 - 17:03

Um dos mitos que continua a preencher o imaginário nacional é o de D. Sebastião.

Daniel Bessa, na sua coluna do suplemento de Economia do Expresso, analisou e criticou o excesso de poder e protagonismo que o Tribunal Constitucional tem vindo a ganhar, bem como os ziguezagues do PS que aprovou uma moção de censura do PCP ao Governo que, entre outros considerandos, plasma a necessidade de trilhar um caminho que leve à saída de Portugal do euro.

Estou de acordo com a análise do economista nos dois pontos enunciados. Não me parece boa ideia que o PS continue na bancada a aplaudir cada chumbo do TC, uma vez que se vislumbra a chegada ao poder. Quem com ferros mata, com ferros morre. Aguardemos, com paciência, caso mudem os interlocutores na formação do próximo Governo, o relacionamento com os juízes. Transformar-se-ão os aplausos em prantos?

O que mais me captou a atenção no texto de Bessa foi a ideia que se segue: “Acresce que não consigo acreditar em D. Sebastião, o mais persistente e talvez o mais pernicioso de todos os nossos mitos. Levou-nos à derrota, sim, à derrota, em Alcácer-Quibir.”

Também Cristiano Ronaldo encarna bem o mito sebástico. Toda a nação acreditou no seu potencial e no sucesso que alavancaria para a seleção. Não quisemos perceber que o nosso “D. CR 7” entrou debilitado numa competição que trouxe à tona todas as insuficiências de uma equipa em perfeito estado de decrepitude.

Enquanto continuarmos a acreditar em salvadores da pátria, endeusando este ou aquele personagem, não iremos longe nem no bom caminho enquanto seleção e também enquanto nação.

Embora não conheça bem os Antónios, Seguro e Costa, fico com a sensação que os socialistas poderão estar a inebriar-se, mitologicamente falando, com mais uma reencarnação de El Rei…