Manipulação pelo ódio

por José Chaves | 2017.07.24 - 10:24

 

 

Quando se assiste, cada vez com mais frequência, pessoas que se queixam e protestam que vivemos numa sociedade profundamente egoísta, também damos conta que cada vez se aplaudem mais discursos de generalizações negativas sobre minorias… Não há nada mais egoísta do que este tipo de generalizações, uma vez que quem as profere pretende apenas “salvar a sua pele”, à custa de determinados grupos, que por norma são minorias, têm pouca voz e, por conseguinte, são mais frágeis.

Acredito que nada se consegue construir com ódio. Acredito que o que constrói é o amor!

Também acredito que quem é nosso amigo e gosta de nós, nunca “nos manda para a guerra”, manda-nos para a paz. Pois só na paz se consegue construir algo!

Entendo, pois, que estas duas premissas constituem um princípio fundamental, o princípio número um de qualquer ação política.

Quem desenvolve a sua ação política com base no ódio, mesmo que isso lhe traga dividendos a curto prazo, originará, garantidamente, mais confrontos e violência, mas sobretudo muita mais intolerância.

Hoje é contra os ciganos, amanhã é contra os sindicalistas, depois contra os judeus e por fim será contra ele mesmo – a história assim nos diz. Um discurso baseado na intolerância, no ódio para com minorias, sejam elas quais forem, na tentativa de criar estereótipos com generalizações que nunca são justas, consegue trazer para a sua causa muitos adeptos.

Consegue-o hoje, muito mais do que ontem, porque hoje vive-se numa sociedade profundamente egoísta em que se torna fácil trazer para este tipo de causas um conjunto de pessoas que nunca estão bem com a sua vida, seja por causa do emprego, seja porque os amigos os desiludem, seja por outro motivo qualquer. Não percebem, estas pessoas, que quanto mais ódio têm, mais mal-amados são. Que quanto mais mal-amados são, mais ódio transmitem para os outros. Não percebem, estas pessoas, que têm de inverter este ciclo que os leva a gerarem dentro deles verdadeiros tumores malignos, que funcionam como uma bola de neve. Não percebem, estas pessoas, que quanto mais tolerantes forem, quanto mais amor tiverem para dar, mais amados vão ser e que, como referi no início, só o amor constrói.

Uma sociedade só terá futuro se os seus membros, sendo naturalmente exigentes com o cumprimento das regras, forem tolerantes para com quem, por algum motivo, não é capaz de as cumprir plenamente. Que sendo determinados para com os objetivos de uma sociedade justa, não podem deixar de ajudar quem menos pode. Que sendo eficazes na prossecução de ideais, não podem deixar de abdicar da proteção aos mais frágeis. Só uma sociedade assim é que pode garantir a paz, porque é exatamente na paz que se consegue construir. Ninguém, em momento algum da história, conseguiu construir na guerra.

É pois com estas duas premissas, por um lado a tolerância baseada num amor ao próximo, tenha ele a cor, o sexo, a ascendência, a religião, a orientação sexual que tiver, e por outro, um caminho para a paz que se pode construir uma sociedade muito melhor. Por outras palavras, não é com o estímulo dos espíritos mais carregados de antipatia, aversão e ódio, que são muito mais manipuláveis, que teremos uma sociedade com juízos de valor justos. Esses estímulos conduzir-nos-ão a um destino de guerras e ódios.

Por isso há que desconfiar sempre, e muito, de quem tenta gerar ódios, seja contra quem for… Essa pessoa não quer o nosso bem, quer apenas atingir os seus

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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