Mancomunidade de Montes, o projecto florestal galego. Um exemplo de organização territorial e florestal

por Diego Garcia | 2019.08.20 - 11:32

Uma quarta parte do território galego, mais de 700.000 hectares, corresponde ao monte de vizinhos em mão comum, gerido por 2800 Comunidades de Montes, estendendo-se por 248 dos 316 municípios da Galiza, e ocupando perto de 30% do território galego.

Isto vem demonstrar que esta estrutura não só tem importância real como é um sinal de identidade e da cultura da Galiza e do seu território, mas também é um claro indicador económico e produtivo. Os montes de vizinhos em mão comum são una forma de co-propriedade germânica, com una regulação específica, que prevê que os montes de vizinhos são bens indivisíveis, inalienáveis, imprescritíveis e inembargáveis, dada a sua especial natureza colectiva.
A propriedade comunal dos montes de vizinhos em mão comum é de natureza privada e colectiva, com independência da sua origem, correspondendo a titularidade dominical e de aproveitamento, sem designação de quotas, ao conjunto dos vizinhos com casa aberta e residência habitual nas localidades as que tradicionalmente tivesse estado inscrito o seu aproveitamento.
É preciso reconhecer o contributo do monte de vizinhos nas suas múltiplas vertentes: social, económica e ambiental. Dada a necessidade que tem a valorização do território como elemento de criação de emprego e de criação de riqueza, o Governo galego age como um aliado das comunidades de montes na hora de arrecadar essa visibilidade social e também numa maior consciência na cidadania sobre a necessidade de colocar a produzir as florestas galegas, tal como na ajuda em  inúmeros financiamentos.
O monte de vizinhos tem o objectivo de ser um dos principais motores de emprego local e, neste âmbito, as comunidades de montes serão as que vão dirigir a segunda fase do ciclo produtivo, a transformação industrial do amplo número de recursos que oferece a floresta galega. O objectivo não é exclusivamente melhorar a exploração florestal e a da biomassa, senão também compatibilizar com as utilidades do aproveitamento agropecuário (mediante projectos silvo-pastoril), produzir cogumelos, castanhas ou outro tipo de frutos da floresta e potenciar zonas recreativas e rotas pedestres que aprofundem o conhecimento do nosso ecossistema, também pode criar programas de educação ambiental dirigido aos mais pequenos.
As Comunidades de Montes gerem a administração e dão uma utilização sustentável ao território com o objectivo de manter e conservar a sua biodiversidade, produtividade e capacidade de regeneração, mediante um aproveitamento responsável e sustentável, desde uma perspectiva ecológica, social e cultural.

Diego Garcia