Mágoas do Criz

por PN | 2019.12.06 - 12:17

Pois assim parece que pelos canaviais do Criz o vento sarilheiro sarabanda e ciranda agoirento…

Lia eu “D. Jaime“, de Tomás Ribeiro, deleitando-me com aquele pungente prólogo:

Por que te miras triste sobre as águas,
Pobre … de aquém e de além-mar senhora?
E te consomes nas candentes fráguas

Das saudades cruéis que tens de outrora?
Por tantos louros que te deram? Mágoas?
Foste mal paga e mal julgada? Embora!
Hás-de cingir o teu diadema augusto;

Quando de seguida, como as cerejas, me ocorreram outras esbeltas linhas:

A fortuna é quase sempre filha de circunstâncias acidentais. De um herói a um bandido, há, muitas vezes, só a distinção da fortuna.”

Vamos aceitar que, aqui, “fortuna”, ao invés de ser abastança e fartura, é antes ventura, felicidade e êxito… etapas possíveis do Fado humano.

Mas o prolixo escritor tondelense, escrevia mais:

“Assim como a febre é sintoma de doença nas faculdades físicas, o crime é sintoma de doença nas faculdades morais. O código penal deve transformar-se em farmacopeia, e a enxovia em hospital.”

A Literatura portuguesa está cheia de bons exemplos, excelentes ficções e narrativas fantásticas. Há que ler os nossos clássicos.

E já que falamos em homens de letras, e a talho de foice nos saiu o escritor de Parada de Gonta, Tomás Ribeiro (1831/1901), também de homens ilustres do concelho se ouvem ecos, porém de alguns infortúnios ou desventuras.

A saber, o Ministério Público requereu “a perda de mandato relativamente aos dois arguidos”, José António Jesus, presidente da autarquia e Pedro Adão, vice-presidente.

Mais uma cabala?  O tempo e a Justiça o dirão. Para já são ambos acusados de “peculato e falsificação”, numa história mesquinha e reles relacionada com uso de veículos da autarquia e cobrança de quilómetros como se as viaturas próprias utilizassem.

O comunicado saído do DIAP-Coimbra, reza assim:

pedidos de ajudas de custo por alegadas deslocações efetuadas em viaturas próprias, quando as deslocações em causa tinham, na realidade, sido efetuadas em viaturas da própria autarquia“.

A RD espera que a verdade seja cabalmente apurada e que o bom nome dos agora arguidos seja limpo de qualquer suspeito indício.

Paulo Neto