Literacia ou iliteracia

por Rui Coutinho | 2014.05.09 - 14:40

Os aspectos relacionados com as expectativas dos cidadãos nacionais têm vindo a aumentar de modo residual. Numa escala de 0-10, este parâmetro aumentou 0.1 pontos de 2013 para 2014, situando-se agora nos 2.5, segundo os dados do observatório Cetelem.

O mesmo estudo menciona ainda que, em muitos dos países europeus, a tomada de consciência sobre a crise económica e financeira atingiu o seu clímax durante o ano transacto, uma vez que só no presente momento, e em alguns deles com peso político, é que este fenómeno se adensou. Em Portugal e Espanha acredita-se que a saída da crise está em marcha. No entanto, países como a França, Itália e Polónia reportam uma degradação da sua qualidade de vida. A ser assim, talvez com engenho e vontade desses países se possa construir os primórdios para se encetarem adequadas negociações com os credores, no sentido de se reequacionar o pagamento das dívidas que por certo apresentam as mesmas variáveis que aqui se discutem e muita celeuma têm levantado: prazos, taxas e montantes.

Por cá, e segundo o estudo sobre literacia financeira dos portugueses, promovido pela Cetelem, a crise financeira obrigou muitas famílias a repensarem os seus padrões de consumo. Em resposta a esta situação, os portugueses viram-se obrigados a reduzir de forma drástica o dinheiro despendido em lazer (78,8%), vestuário (76,2%) e combustível (66,2%).

Ainda segundo o mesmo estudo, as compras aglomeradas na categoria lazer, que exigem um investimento mais significativo, perspectivadas num horizonte temporal mais longínquo, registaram uma avultada redução: nas telecomunicações (62,4%), na informática (60,2%), nos electrodomésticos (58,6%), nas remodelações (56,8%), em viaturas (55,4%), no mobiliário (54%) e no imobiliário (46,6%).

Do total dos inquiridos, 30% afirma que a crise os obrigou concomitantemente a cortes na educação (25,4%), na saúde (30%) e na alimentação (33,8%).

Este conjunto de talhes operados já há algum tempo redundou no aumento da taxa de poupança em Portugal. Actualmente, vislumbra-se a dita “saída limpa”, e constata-se que em 2014 os portugueses voltam a manifestar intenções de aumentar as suas despesas, face ao ano transacto, dos 19% para os 29%, e estão dispostos a reduzir a sua taxa de poupança dos 48% para os 35%.

A ser assim, muito está para mudar durante o ano de 2014. Perante este cenário, importa perguntar: Padecemos de literacia ou iliteracia?

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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